23/09/2012

Santana Castilho na Covilhã a 27 Set



A "Troca de Palavras" do mês de Setembro terá lugar no dia 27 (5ª feira) , na Biblioteca Municipal, com início marcado para as 21:30 horas. 


Esta tertúlia, a que a Biblioteca já nos habituou nas últimas Quintas-feiras de cada mês, conta com a presença de SANTANA CASTILHO, que fará uma abordagem reflexiva sobre "O estado da Educação: erros e alternativas".




Quem puder ir, não perca! 
É sempre um privilégio ouvi-lo, sobretudo assim 'informalmente' e ao vivo, com tempo e disponibilidade para uma "troca de palavras"!

12/09/2012

A Nini de Pedro e a linhagem de Crato

Público, 12/9/2012

A Nini de Pedro e a linhagem de Crato

Santana Castilho *

Depois da desastrosa comunicação ao país do Primeiro-Ministro, o “Pedro” (são a mesma pessoa) escreveu banalidades no “facebook” e foi alegremente cantar a “ Nini dos meus 15 Anos” para o Tivoli. Depois do ministro da Educação passar um ano a destruir o ensino público, o filho do primo-sobrinho-trineto em 2º grau do 1.º Barão e 1.º Visconde de Nossa Senhora da Luz (são a mesma pessoa, esclarece a “Wikipédia”) falou ao “Sol” e à “TVI”, como se fosse coisa boa o que até aqui fez. Assim começa o pior ano-lectivo da democracia, para os que sobrevivam a Passos e Crato. 

Crato, interrogado no “Sol” sobre as causas do despedimento colectivo de 5.147 professores, disse que isso era consequência de “várias coisas”, mas só referiu uma: “… redução da população escolar em cerca de 200 mil alunos nos últimos anos…”. Quando voltou ao mesmo na “TVI”, manteve o número, mas clarificou o período: três últimos anos. Ora ou as estatísticas dos serviços que dirige estão erradas, ou mente. Eis os números (GEPE/ME, citado por PORDATA): no ensino básico tivemos um decréscimo de 10.000 alunos (1.051.384 em 2008 e 1.041.384 em 2011); no secundário registou-se um aumento de 80.265 alunos (289.714 em 2007 e 369.979 em 2010, números usados por não haver dados de 2011); e no pré-escolar verificou-se um aumento de 1.618 alunos (141.854 em 2008 e 143.472 em 2011). Será certamente oculta a ciência a que o matemático insigne recorreu para falar como falou. À Estatística não foi, certamente. 

Crato já mostrou ser um acrobata dos melhores com as piruetas que deu desde os tempos do “Plano Inclinado”. Mas não é convincente como ilusionista. Com débil honestidade intelectual, comparou capciosamente a relação professor-alunos de Portugal e Áustria. Ora ele sabe que isso depende de outras variáveis (dispersão e extensão do curriculum, por exemplo) que não só do número de professores. E sabe que se quer falar de riqueza, o indicador válido é o que o Estado gasta por aluno. E sabe que estamos na cauda da Europa, 16 níveis abaixo da Áustria, bem abaixo da média da União Europeia a 27 (Eurostat, 2009). Invocar a Áustria neste contexto é tão infeliz e desajustado como ir cantar a “Nini” depois de pisotear quem já estava de rastos.

A imprensa noticiou que os alunos que durante os primeiros seis anos de escolaridade obrigatória (11 anos de idade) tivessem registado duas reprovações seguidas ou três alternadas aprenderiam uma profissão até ao nono ano. No 10º poderiam voltar à via “regular”, se quisessem prosseguir estudos. Essa solução, obrigatória para os casos descritos, estaria ainda ao alcance de quem a preferisse e iria ser testada numa dúzia de escolas experimentais. Nuno Crato vem agora dizer que nada será obrigatório, mas tão-só se os pais anuírem. Mas associar o ensino profissionalizante aos maus alunos é mau. Porque cola a aprendizagem de uma profissão a insuficiência intelectual. Iniciar nessa via uma criança de 11 anos é prematuro. Queremos uma formação básica que rasgue horizontes ou que gere, precocemente, mão-de-obra barata? Não será paradoxal a coexistência da obrigatoriedade de permanecer na escola até aos 18 anos com o início precoce da aprendizagem de uma profissão? Imaginemos um jovem que conclui o 6º ano com 11 anos e escolhe o tal curso profissionalizante de três. Termina-o com 14 anos, mas não pode trabalhar. Que faz até aos 18? Aprende outra profissão? Todas as profissões requerem períodos de formação de três anos? Acresce que, depois de tudo o que se tem feito para limpar administrativamente as reprovações no ensino básico, os casos de dois chumbos seguidos ou três intercalados têm expressão diminuta. O ministro desconhece essa realidade? Ou prevê que as alterações que introduziu façam disparar o número de reprovações? O ministro devia ter pensado nisto e dizer-nos, fundamentadamente, o que pensou. Do que acha, estamos fartos. 

Em Fevereiro transacto, Nuno Crato mudou as regras de acesso ao ensino superior para os alunos do ensino recorrente. A medida entendia-se para corrigir uma gritante injustiça (a via regular exigia exames nacionais e a recorrente dispensava-os). Mas só deveria servir para futuro e nunca alterar as regras a meio do jogo. Prepotentemente, Crato traiu a confiança dos jovens no Estado. Muitos anularam as matrículas e desistiram. Alguns recorreram para tribunal. Todos os que o fizeram, 295, ganharam. Cerca de 3.700 aceitaram a ilegalidade e apresentaram-se a exames. Crato prometeu vagas supervenientes aos alunos do ensino regular que se consideraram prejudicados pelos 295 colegas. Sobre os 3.700, disse nada. Querem maior trapalhada? Que sentido de equidade e de justiça tem este homem? Eis o rigor de Crato: quem não chora não mama!

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

11/09/2012

Antena 1 - Entrevista a Santana Castilho


em 10-09-2012:

Antena 1 - Entrevista a Santana Castilho

sobre a abertura do novo ano lectivo:

«Tenho a sensação de que há um ensandecimento colectivo.» - SC


04/09/2012

Bem-haja, professor Santana Castilho !


 .
PÚBLICO, TER 4 SET 2012

CARTAS À DIRECTORA

A clarividência, a denúncia e o humanismo de S. Castilho


O professor Santana Castilho (SC), um dos mais distintos colaboradores do PÚBLICO, não se tem cansado de, em textos brilhantes, denunciar a nefasta política educativa que, de há uns tempos a esta parte, o Ministério da Educação tem imprimido, desvalorizando e subalternizando constantemente a voz dos professores, ao mesmo tempo que impõe cegas medidas unidirecionais que se têm revelado desadequadas e, em muitos casos, de difícil exequibilidade, lançando a confusão, a instabilidade e a insegurança nas escolas deste país. Não posso, por isso, deixar de reproduzir, com a devida vénia, dois ou três extratos do excelente
artigo do professor Castilho (PÚBLICO, 1 de Agosto) em que é patente a frontalidade e a justeza das suas observações que deitam por terra insidiosas arteirices, hipocrisias e mentiras instaladas no sistema educativo, que agora conta com a prestimosa ajuda das medidas ditas economicistas que tudo justifi cam para injungir
cabrestos que prejudicam e acabrunham os professores.

Vamos lá aos extratos do texto do professor SC: “Teremos para o ano professores imersos em trabalho, com uma dúzia de turmas a seu cargo, coexistindo com colegas com uma só turma e resto do horário preenchido por apoios”. Ou seja, uns burros de carga, outros nem tanto! Um pouco mais à frente continua o professor SC: “Nenhuma circunstância permite a um político maltratar pessoas. Mas Nuno Crato ofendeu a dignidade profissional de milhares de professores”. Verdade como punhos! E para fi nalizar: “A seriedade intelectual de Nuno Crato em matéria de Educação implodiu (…). Falo da seriedade transmitida nas intervenções públicas que precederam a corrida ao cargo e da seriedade apreendida por quem se deixou
enganar pelo seu discurso (…). De facto, quem o viu (no programa televisivo “Plano Inclinado”) e quem o vê, agora, bem vestido, com os seus botões de punho e com o seu discurso de governante mandante…

Bem-haja, professor Santana Castilho, pelas suas denúncias do gangrenado sistema educativo que maltrata os professores e que, por outro lado, permite, à velocidade de uma bala, cursos arrelvados inseridos nesta pantominice trágica em que se transformou este regime democrático tutelado pela troika…

António Cândido Miguéis,
Vila Real

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29/08/2012

O ensino profissional é um logro


por Santana Castilho *
no Público de 29 de Agosto de 2012


É recorrente considerar que a falta de preparação profissional responde por boa parte da falta de competitividade da economia portuguesa, embora seja astronómica a dimensão do dinheiro consumido por programas de formação, em 38 anos de democracia. Compreende-se o paradoxo quando se analisam os critérios (ou a sua ausência) que têm presidido às respectivas decisões políticas. Nuno Crato acaba de persistir na via da leviandade. Não é ele que conhece as necessidades de formação dos activos das empresas. São os próprios e as suas empresas. Não é ele que deve decidir sobre o futuro dos jovens. São os próprios e os seus pais. Mas proclamando irrelevâncias e desconhecendo realidades, acaba de desviar 600 milhões de euros, reservados à formação de activos, para financiar o sistema formal de ensino e serenar os reitores (para as universidades e uma tal “formação avançada” irão 200 milhões). A isso e a um esboço de resposta atabalhoada ao prolongamento da escolaridade obrigatória se resume o que acabou de fazer, em nome do mal tratado ensino profissional. 

Relevemos o anacrónico (não parece mas é o mesmo ministro que agora deseja ter 50 por cento dos jovens em ensino profissional que, aquando da preparação do ano-lectivo que se inicia daqui a dias, mandou reduzir, em proporção superior, os cursos que o sustentam) e digamos o que é preciso dizer: o ensino profissional é um logro, que resulta da total ausência de pensamento estratégico sobre o crescimento da economia e da sucessiva arrogância de ministros, que decidem sobre o interesse do país e das gerações em formação, sem debate nem deliberações públicas.

Os cursos profissionais têm sido, na maioria esmagadora das situações, expedientes para manter no sistema e a qualquer preço jovens que o abandonariam precocemente ou para obter o mesmo diploma em menos tempo e com dispensa das disciplinas papão. Os Cursos de Educação e Formação, sabe quem está no terreno, foram desenhados para quem terminou o segundo ciclo do básico em situação de forte risco de abandono e com fartos historiais de indisciplina. E com as excepções meritórias que só confirmam a regra, os cursos profissionais, que lhes dão sequência no ensino secundário, enfermam do mesmo vício e arregimentam, por norma, jovens desinteressados. Nuns e noutros, sabem os professores as pressões que sofreram para fabricarem falsos êxitos. Nuns e noutros, por exemplo, a ponderação sofrida por indicadores de avaliação de desempenho, a este propósito, gerou cozinheiros que nunca descascaram uma batata ou viram uma panela e directores que sucumbiram ao facilitismo, acossados pela celebrada avaliação externa das instituições que dirigem. O que poderia ser interessante e útil tem-se manifestado, assim, um engano para os jovens, um martírio para os professores, coagidos a contemporizarem com tudo porque o desemprego é a alternativa, e um desperdício de tempo e recursos para todos.

É neste contexto que Nuno Crato confessou ter por objectivo que 50 por cento dos jovens do ensino secundário frequentem, ainda este ano, vias profissionais de ensino. Ao fazê-lo tornou uma vez mais patente o seu desconhecimento sobre o que existe e sobre o que fazer. As opções dos alunos estão tomadas e nada do que diga ou faça as fará mudar este ano. É elementar. No que toca ao futuro, para compreender que Crato clame por 50 por cento de jovens em cursos profissionais, quando começou a reduzir tal ensino nas escolas públicas, teremos que admitir que se prepara para o fazer crescer por via da iniciativa privada. Seria bom que nos esclarecesse. Sobre isso disse nada e menos ainda sobre o essencial, a saber: 

1. O problema de fundo é cultural e ideológico. Com efeito, continuamos a assumir que a norma é o ensino conducente à universidade e tudo o mais são soluções de recurso e menos nobres. Muitos pais de alunos com manifesto desinteresse por cursos universitários receiam estigmatizar os seus filhos com opções por cursos de carácter profissional. Enquanto socialmente esta questão não for debatida e o ensino profissional dignificado e autonomizado em escolas de prestígio, seriamente articuladas com as empresas (como fazem alemães e suíços, por exemplo), servidas por mestres socialmente reconhecidos e livres de preconceitos de falsas erudições, o país não avança. 

2. Um sistema sério de ensino profissional supõe, imperativamente, o conhecimento das necessidades de formação colocadas por uma estratégia de crescimento económico e a existência de serviços de orientação profissional e escolar que cubram todo o país e ajudem jovens e pais a tomarem, livremente, decisões que lhes pertencem e de que o Estado não pode nem deve apropriar-se. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

16/08/2012

Secretário de Estado ou escriturário de Estado?

in Público, 15-8-2012

por Santana Castilho *


1. A 19 de Julho, as escolas ficaram a conhecer um conjunto de orientações do secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar para, ao abrigo de 11 medidas indicativas, atribuírem carga lectiva aos cerca de 15 mil professores dos quadros, que a não tinham. Particularmente por declarações públicas de Nuno Crato, que repetiu e voltou a repetir que todos os professores eram necessários ao sistema de ensino, as apreensões dos visados diminuíram. Mas as coisas revelaram-se diferentes daquilo que passou para a opinião pública. Com efeito, dias volvidos, os directores receberam a “interpretação” que as direcções regionais de educação fizeram das orientações do governante. E onde, nas orientações, estava que a atribuição da componente lectiva devia simplesmente ser comunicada às direcções regionais, as ditas interpretaram, e como tal instruíram, que a atribuição da componente lectiva estava sujeita a prévia autorização daquelas. As facilidades badaladas em público foram semeadas de constrangimentos em privado. O que começou por ser decisão dos directores, afinal carecia do visto dos burocratas regionais. Secretário de Estado, afinal, é escriturário de Estado. Boa malha para santificar Crato e diabolizar os directores. O discurso da autonomia segue dentro de momentos.
Lance após lance, continua a saga da movimentação de professores. Incompreensível? Sim, se acharmos que tudo é fruto de amadores incompetentes. Nem tanto se tivermos em vista a estratégia recorrente: anuncia-se um caos para fazer passar depois, de fininho, um desastre menor, com a resignação dos atingidos, que passam a comparar o que lhes impuseram, não com o que antes tinham, mas com o que inicialmente fora anunciado. A ameaça sobre os professores dos quadros tem servido para colocar em segundo plano o total varrimento dos contratados. Os do quadro escapam agora para serem despedidos mais tarde. Seraficamente, Nuno Crato desqualifica e seca a escola pública, retirando-lhe recursos e meios, e abre caminho à escola privada. É só enumerar os últimos factos. Gerir um giga conjunto de escolas a partir de uma sede, afastando cada uma delas da decisão dos seus problemas diários, melhora a qualidade do respectivo serviço? Cortar horas às disciplinas e professores às escolas contribuirá para a obtenção de melhores resultados? A confusão e a instabilidade geradas pelas sucessivas versões de uma reorganização curricular imposta sem fundamentos pedagógicos e ancorada em metas desarticuladas dos programas em vigor e dos manuais escolares vigentes vão favorecer o trabalho dos professores e o aproveitamento dos alunos? Quando se vive o drama social que todos conhecemos e sendo certo que o papel dos directores de turma é fulcral no apoio às famílias, alguém sensato aceita que cortar o tempo previsto para o desempenhar e aumentar o número de alunos a acompanhar não terá como consequência a óbvia degradação do serviço?
É o progresso social dos grupos economicamente mais desfavorecidos e a ascensão a melhores oportunidades de vida das crianças desses meios que estas políticas desprezam. Para estes prepara-se formação profissional aos 10 anos de idade. Para os outros, protege-se o ensino privado.

2. Por mero acaso, li um artigo aqui publicado ontem, sob o título “Os professores desempregados”, antes de enviar o meu, que já estava concluído. Manda o apreço pelos leitores que substitua rapidamente parte do que tinha escrito. Para clarificar o que tem que ser clarificado, até porque a tese é recorrente e a sua retoma, agora, não é inócua. Resume-se nas seguintes vertentes: haverá uma campanha bem orquestrada para atribuir o desemprego dos professores a medidas de política economicista; porque se nasce menos, há menos alunos nas escolas. A argumentação do autor, José Carvalho, professor, é pobre. A citação estatística que utiliza, sem indicação de fonte, revela desconhecimento do que se faz nas escolas, o que é grave para um professor. Telegraficamente, que o tempo e o espaço mais não permitem, corrijo-o. José Carvalho confunde decréscimo da natalidade com decréscimo de alunos na escola. Mas são coisas diferentes. Porque existem muitas outras áreas de ensino, para além das que considerou. Os últimos dados disponíveis (GEPE, Ministério da Educação), referem-se a 2008/09. E que mostram? Que os alunos, por referência a 2005/06, aumentaram. Mais trezentos e três mil quinhentos e cinquenta e seis! No que toca à actualidade, é óbvio que o desemprego de professores é resultado de políticas, que não de decréscimo de natalidade. Não fora isso, como se explicaria, então, que do ano passado para o próximo o sistema dispense mais de trinta mil professores? Porque a Alfredo da Costa vai fechar?
* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

01/08/2012

O tirano

Santana Castilho numa crónica FANTÁSTICA, daquelas que gostaria de ter escrito eu. Nuno Crato (como, de resto, mais que merece!) apanha aqui forte e feio. Não dos professores, que são quem o devia "esganar".  Santana Castilho, de novo e sempre, defendendo a classe docente e a escola pública, os olhos bem abertos e os sentidos alerta, a inteligência e a capacidade combativa ao serviço de quem talvez o não mereça, arauto entre surdos e cegos, quase todos. Pela minha parte, o meu imenso obrigada, Professor!
AL




in Público, 1 de Agosto de 2012, mais uma crónica fantástica de

Santana Castilho *

O tirano


Para quem se tenha esquecido, recordo que o concurso nacional de professores já foi um processo administrativo estabilizado e que não provocava conflitos. Políticas incompetentes e recentes inovações sem sentido, de vários donos, encarregaram-se, porém, de recuperar desastres de tempos idos. Mas a taça leva-a Nuno Crato, o tirano. Tanta ignorância, técnica e política, tamanha crueldade moral exercida sobre os docentes, surpreendem os mais treinados. Ontem, terminou o prazo para os novos escravos concorrerem. Terão sido mais de 40 mil, que aguentaram horas e horas de atalaia a uma aplicação informática que lhes fazia continuadamente o que os professores, desunidos, já deviam ter feito ao tirano: um continuado manguito. Servidor em baixo no fim de cada tempo infindo a meter códigos de fazer inveja a Sísifo e babar Kafka, foi a regra. Aceder à coisa, depois de horas de martírio, foi uma lotaria. Até a lei o tirano mudou, depois do concurso começado. Abriu com uma e terminou com outra, sem que o arbítrio tenha provocado mais que incómodos suportados. O que se passa com uma classe inteira, que assim é espezinhada e não consegue pôr cobro a tamanha sucessão de nunca vistos, resta campo para investigação futura. 

Primeiro, sem que se conhecessem os créditos atribuídos às escolas, sem que as matrículas estivessem terminadas e as turmas constituídas, o tirano obrigou os directores das “unidades orgânicas” (escola é vocábulo em vias de proscrição) a determinarem e comunicarem o número de “horários zero” para 2012-2013, sob ameaça de procedimento disciplinar. Milhares e milhares de descartáveis docentes, com dezenas de anos de serviço público desalmadamente ignorado, fizeram fila para o concurso crematório da dignidade mínima. Kapos, de reacção capada pela servidão a que o poleiro obriga, e classe inteira vergada pelo medo e desorientada pela surpresa, obedeceram. Foi a uma sexta-feira, simbolicamente 13. Mas na semana seguinte, qual Nero arrependido, o tirano mandou recuperar o que antes havia incendiado, ordenando a indicação mínima possível de horários zero e permitindo tudo o que antes proibira. Dos números, disse que não estavam “consolidados” e guardou-os na mesma gaveta onde há muito arrumou o rigor de outrora.

A dança macabra foi temporariamente (sublinho temporariamente) adoçada com um empreendedorismo inventivo de recurso: “apoios” de todo o tipo, “coadjuvações” de várias estirpes, combate ao insucesso, patati-patatá, rebéu-béu, pisca-pisca, “cratês” onde havia “eduquês”. Não o tratem que ele vos tratará, orçamento de 2013 a obrigar, volta ao texto do Tribunal Constitucional a justificar, Portas a satisfazer. Ou julgam que o tirocínio na Comissão Permanente do Conselho Nacional da UDP não foi útil? Qualquer tirano sabe que, vendido o inferno ardente, o purgatório passa por paraíso. 

Por que invoco aqui Portas? Porque é dele esta recente frase assassina, que Crato subscreverá com entusiasmo: «Temos de saber e entender que, se o problema de Portugal é défice do Estado, não é justo pretender que o sector privado tenha a mesma responsabilidade de ajudar.» Professores e demais funcionários públicos têm que fazer engolir a ambos a hipocrisia do argumento. Porque o que se gasta com hospitais, escolas, tribunais e tudo o que é público serve a todos, independentemente do sector em que trabalham; porque os 8 mil milhões que se sublimaram sem rasto na canalhice do BPN foram pagos por todos, embora, esses sim, só dissessem respeito a privados, pouquíssimos privados.

Teremos para o ano professores imersos em trabalho, com uma dúzia de turmas a seu cargo, coexistindo com colegas com uma só turma e resto do horário preenchido por “apoios”. As interpretações locais, casuísticas, do que dizem as normas sem norma sobre o que é lectivo e não lectivo, ampliarão a confusão e a nova injustiça, que se soma a tantas outras acumuladas em passado recente. 

Nenhuma circunstância permite a um político maltratar pessoas. Mas Nuno Crato ofendeu a dignidade profissional de milhares de professores. Fez sofrer inutilmente as suas famílias. Ultrajou o trabalho dos que preparavam o ano-lectivo. Tratou grosseiramente o interesse da escola pública, dos pais e das crianças. As duas últimas semanas foram devastadoras e trouxeram-nos uma prática governativa mais perversa e iníqua que a pior do pior tempo de Maria de Lurdes Rodrigues. 

A seriedade intelectual de Nuno Crato em matéria de Educação implodiu definitivamente. Falo da seriedade transmitida nas intervenções públicas que precederam a corrida ao cargo e da seriedade apreendida por quem se deixou enganar pelo seu discurso farsola. Não falo de seriedade intelectual intrínseca, que, essa, nunca existiu. Demonstra-o a curta história do seu ministério.

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)


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comentários retirados daqui :

Maria Elvira Lemos Só quem sabe o que se está a passar na Educação é que pode ser tão claro como o sr. Professor nesta crónica tão esclarecedora! Mas o pior ainda está para vir. Aquilo que ele está a fazer aos professsores, deixou-os sem forças para iniciar o novo ano lectivo que já vai começar daqui a umas semanas. A Educação não é o plano inclinado D. Nuno Crato I - o Impostor!
 
Cesar Galocha Face à situação criada pelo MEC, estou cada vez mais crente que o Crato, o tirano, está a ser vítima da instituição que prometeu implodir. Tenho pena. De facto tudo aponta para que a máquina administrativa do seu Ministério tenha ido para além da troika ou triunvirato, como também gosto de designar aqueles tristes fatos que deambulam na fúnebre casa do velório desta III República, e, propositadamente, se tenha virado o feitiço contra o feiticeiro, colocando-o num caldeirão infernal em lume brando. Posso? Talvez se lixe!
 
Luís Sérgio Rolão Mendes Parabéns , professor ! Mais uma excelente e dolorosa crónica, excelente porque sábia , lúcida e verdadeira. Dolorosa porque os professores, na sua grande maioria tardam em perceber que estão a se rliquidados com a escola pública.“Nuno Crato, o tirano. Tanta ignorância, técnica e política”. É verdade, com o objectivo declarado de destruir o concurso de professores.
Grande abraço solidário.
 
Albertina Vieira Tem lógica "unidade orgânica" em vez de escola, tem a lógica do "democrapitalismo" que com passinhos de lã (re)tomou conta de tudo outra vez. Orgânica, porque se decompõe, se desfaz, e é isso que pretendem...
 
Luís Teixeira parabéns por mais um crónica de grande qualidade.
 
Rui Andrade Obrigado Professor.
 
Berta Prata Fico tão triste com estas verdades! Obrigada, Professor, por estas palavras duras e merecidas a todos os intervenientes. Em Setembro, espero que os coegas estejam fortes para a luta que se avizinha. É sempre hora para agir! Nuno Crato foi longe demais, ofendendo profundamente e cobardemente a classe docente.
 
Maria Antónia Pinto li e discuti com um colega ex-professor e ambos estamos de acordo que é um artigo de grande frontalidade e rigor. (...)
 
Nuno Costa Obrigado. Haja alguém com lucidez no apoio à Educação.
 
Fernando Machado Mais uma excelente crónica!!!
 
Mário Jorge Como sempre; mais uma crónica clara e esclarecedora. Parabéns, Sr. PROFESSOR.
 
Ana Maria Rico Bem-haja, professor!
“Novos escravos”, sem dúvida, escravos de uma política governamental sem precedência e de diretores aplicados em ser o jugo da tirania e da subserviência.
 
Sonia Andrade Como seria fantástico se os "tiranos" que estão e que já passaram pelo (des)governo da pasta da Educação tivessem a lucidez e sensibilidade que o Professor demonstra ter, perante o que é a Escola Pública. Muito obrigada por mais uma excelente crónica!!!
 
Manuel Santos Parabéns pela crónica. A linguagem seria dura em pessoas normais, não nesta personagem execrável que destrói a educação e, por arrastamento, o País. É, sem margem para erro, o mais tirânico e autocrata dos membros do governo. O Gaspar tem mais poder mas não lhe chega aos calcanhares (e falo de outro tirano!).
 

21/07/2012

dos professores, a Santana Castilho

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transcrevo aqui alguns dos comentários à 'nota'/ crónica «Uma Classe Zombie e um Ministro Bárbaro» que o Professor Santana Castilho colocou na sua página do facebook:
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João Daniel Pereira : Nós estamos a ouvi-lo, professor. O medo vai dar lugar à resistência, acredite. Também estou na situação de "horário-zero", com 19 anos de serviço (18 na mesma escola). Obrigado pelo texto (que resume tudo o que se está a passar) e por assumir, de forma tão corajosa, a defesa da Escola Pública.
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João Freitas Tem toda a razão professor. Parece mentira como foi possível juntar centenas de milhares de professores em manifestações contra a Ministra Maria de Lurdes, quando agora estamos parados, quase inertes...
Era este o ministro esperado? Era!
Eram estas as decisões esperadas? NÃO!
Então? Então? O que é preciso é união para travar a destruição do ensino, mas andamos todos a olhar para o umbigo!!!

Luís Sérgio Rolão Mendes Obrigado professor, é preciso romper com o medo e o oportunismo que ainda impera. Já vai sendo tempo de acordar e correr com este ministro ao serviço da troika, disposto a tudo para destruir os professores e a escola pública.
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Maria Isabel Carvalho Parabéns pela crónica, Professor. Tem toda a razão...mas acredito que se começa a acordar (até pode ser devagarinho, mas começa...). Mas na Educação os professores são apenas um dos grupo de atores em "palco" e esse factor "pesa" a favor de Nuno Crato. Mas com os frutos desta politica educativa tão desastrosa, não será por muito tempo. Continuação de boas crónicas, Professor. Obrigada.
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Paula Charrano Brilhante como sempre!

Olivia Dias Excelente como sempre. Devíamos ter um Ministro da Educação com as suas qualidades... A classe admira-o mais do que imagina. O Professor está sempre a ser citado nas salas de professores. Estamos atentos ao que escreve..

Mário Jorge Mais uma vez, obrigado Sr. Professor pela denúncia de um problema que foi criado pelo MEC e que se nada for feito pelos docentes quer estejam em DACL ou não, o ensino público corre sérios riscos de se degradar ainda mais. Estou convencido que todos os professores atentos aos problemas da educação não deixarão de refletir naquilo que o Sr. Professor diz. EXCELENTE SERVIÇO CÍVICO.

Isabel Campeão : Tem toda a razão, Professor. Estou aposentada, mas tenho a legitimidade de muitas lutas pela Escola Pública para sublinhar e comentar: "Os professores têm a legitimidade profissional de defender os interesses da classe." E foram capazes de descer a Lisboa mais de 100 mil. "E têm a responsabilidade cívica de defender a Escola Pública". Mas, infelizmente, sobre essa responsabilidade é necessário e bem importante que sejam chamados a acordar. Agora, é o risco de despedimento, ou de instabilidade para quem atingira uma situação julgada estável, e isso lamento e estou solidária pois é dramático para cada um em termos pessoais e familiares. Mas as razões que foram permitindo chegar a isso são gravíssimas para o futuro da nossa Escola Pública e da Educação, por isso gravíssimas para o país em que vão viver os nossos filhos e/ou netos. Tenho-me lembrado muito daquele poema atribuído a Brecht... 'Não era nada comigo...... Agora levam-me a mim, mas já é tarde'. Bem haja pelo que escreveu, pois o Professor é muitíssimo lido pelos docentes.

Duro Paul Muitos parabéns caro Santana. Um cidadão por excelência! Continue!

Luís Pedro Ribeiro Concordo e subscrevo. Obrigado, professor!
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18/07/2012

Uma classe zombie e um ministro bárbaro

Santana Castilho, de novo e sempre, sofrendo as dores que são nossas, descobrindo-nos as feridas assim, sem paninhos quentes, o pus à vista, urgindo tratamento .. Nada. Os professores "comem e calam", sempre o fizeram, vergando-se (ainda que contrariados) aos devaneios tresloucados dos vários ministros que vão passando pela Educação, PSs ou PSDs. Apanham e parece que pedem mais. Queixam-se muito - na sala de professores. Manifestam-se na rua e depois voltam às suas escolas, cumprindo tudo, o rabinho metido entre as pernas. A maioria das vezes, só percebem a tempestade depois que o raio os atinge. Não embarcam em lutas "perigosas" tipo greves que (lhes) doam, não ousam, não têm ideias, não se informam, queixam-se só - e baixinho. Não Santana Castilho, que arrisca "gritar" bem alto. Que acusa, coberto de razão. Que se/nos informa. Que pensa por quem tinha, mais que ninguém, obrigação de pensar. Que aponta caminhos a quem teima em os não querer ver (greves de zelo, por exemplo? às matrículas, à formação de turmas.. ? ). Pois .. o tanto que se podia (devia!) fazer, e a mossa que isso ia causar, assim a classe o ouvisse !!!
AL


in Público, 18/7/2012
por Santana Castilho*
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Uma classe zombie e um ministro bárbaro

Numa sexta-feira, 13, a tampa de um enorme esgoto foi aberta ante a complacência de uma classe que parece morta em vida. Nuno Crato exigiu e ameaçou: até 13 de Julho, os directores dos agrupamentos e das escolas que restam tiveram que indicar o número de professores que não irão ter horário no próximo ano-lectivo. Se não indicassem um só docente que pudesse vir a ficar sem serviço, sofreriam sanções. Esta ordem foi ilegítima. Porque as matrículas e a constituição de turmas que delas derivam não estavam concluídas a 13 de Julho. Porque os créditos de horas a atribuir às escolas, em função da deriva burocrática e delirante de Nuno Crato, não eram ainda conhecidos e a responsabilidade não é de mais ninguém senão dele próprio e dos seus ajudantes incompetentes. Não se conhecendo o número de turmas, não se conhecendo os cursos escolhidos pelos alunos e portanto as correspondentes disciplinas, não se conhecendo os referidos créditos, como se poderia calcular o número de professores? Mas, apesar de ilegítima, a ordem foi cumprida por directores dúcteis. Como fizeram? Indicaram, por larguíssimo excesso, horários zero. Milhares de professores dos “quadros” foram obrigados, assim, a concorrer a outras escolas por uma inexistência de serviço na sua, que se vai revelar falsa a breve trecho. Serão “repescados” mais tarde, mas ficarão até lá sujeitos a uma incerteza e a uma ansiedade evitáveis. Por que foi isto feito? Que sentido tem esta humilhação? Incapacidade grosseira de planeamento? Incompetência? Irresponsabilidade? Perfídia? Que férias vão ter estes professores, depois de um ano-lectivo esgotante? Em que condições anímicas se apresentarão para iniciar o próximo, bem pior? Que motivação os animará, depois de tamanha indignidade de tratamento, depois de terem a prova provada de que Nuno Crato não os olha como Professores mas, tão-só, como reles proletários descartáveis? É de bárbaro sujeitar famílias inteiras a esta provação dispensável. É de bárbaro a insensibilidade demonstrada. Depois do roubo dos subsídios, do aumento do horário de trabalho, da redução bruta dos tempos para gerir agrupamentos e turmas, da tábua rasa sobre os grupos de recrutamento com essa caricatura de rigor baptizada de “certificação de idoneidade”, da menorização ignara da Educação Física e do desporto escolar, da supina cretinice administrativa da fórmula com que o ministro quer medir tudo e todos, da antecipação ridícula de exames para o início do terceiro período e do folclórico prolongamento do ano-lectivo por mais um mês, esta pulseira electrónica posta na dignidade profissional dos professores foi demais.
Todas as medidas de intervenção no sistema de ensino impostas por Nuno Crato têm um objectivo dominante: reduzir professores e consequentes custos de funcionamento. O aumento do número de alunos por turma fará crescer o insucesso escolar e a indisciplina na sala de aula. Mas despede professores. A revisão curricular, sem nexo, sem visão sistémica, capciosa no seu enunciado, que acabou com algumas disciplinas e diminuiu consideravelmente as horas de outras, particularmente no secundário, não melhorará resultados, nem mesmo nas áreas reforçadas em carga horária. Mas despede professores. Uma distribuição de serviço feita agora ao minuto, quando antes era feita por “tempos-lectivos”, vai adulterar fortemente a continuidade da leccionação das mesmas turmas, em anos consecutivos, pelos mesmos professores (turmas de continuidade), com previsível diminuição dos resultados dos alunos. Mas despede professores. As modificações impostas à chamada “oferta formativa qualificante”, mandando às urtigas a propalada autonomia das escolas, substituídas nas decisões pelas “extintas” direcções-regionais (cuja continuidade já está garantida, com mudança de nome) não melhora o serviço dispensado aos alunos. Mas despede professores.
Ao que acima se enunciou, a classe tem assistido em letargia zombie. Não são pequenas ousadias kitsch ou jograis conjuntos de federações sindicais, federações de associações de pais e associações de directores, carpindo angústias e esmagamentos, que demovem a barbárie. Só a paramos com iniciativas que doam. Os professores têm a legitimidade profissional de defender os interesses da classe. Digo da classe, que não de cada um dos grupos dentro da classe. E têm a responsabilidade cívica de defender a Escola Pública, constitucionalmente protegida. Crato vai estatelar-se e perder-se no labirinto que criou para o ano-lectivo próximo. Perdidos tantos outros, é o tempo propício para um novo discurso político, orientador e agregador da classe. A quem fala manso e age duro, urge responder com maior dureza. Lamento ter que o dizer, mas há limites para tudo. Como? Assim a classe me ouvisse. Crato vergava num par de semanas. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

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comentários (retirados daqui ) :

João Daniel Pereira Nós estamos a ouvi-lo, professor. O medo vai dar lugar à resistência, acredite. Também estou na situação de "horário-zero", com 19 anos de serviço (18 na mesma escola). Obrigado pelo texto (que resume tudo o que se está a passar) e por assumir, de forma tão corajosa, a defesa da Escola Pública.
 
João Freitas Tem toda a razão professor. Parece mentira como foi possível juntar centenas de milhares de professores em manifestações contra a Ministra Maria de Lurdes, quando agora estamos parados, quase inertes...
Era este o ministro esperado? Era!
Eram estas as decisões esperadas? NÃO!
Então? Então? O que é preciso é união para travar a destruição do ensino, mas andamos todos a olhar para o umbigo!!!
 
Ana Oliveira ja qt aos contratados, nem sequer existem. é tudo "jovens", "recém-licenciados" e "com experiência" e nao ha problema.
 
Manuel Santos O povo anda muito manso, é verdade. Não são só os professores. Vergaram-nos a todos com a intervenção colonial e a contestação está a cargo de um ou outro quixote perdido e isolado... Até quando?
 
Felícia Martins Mortos não estamos ...aguardamos pelo "acordar do coma" de quem nos abandonou!
 
Manuel Santos Ninguém nos abandonou, a não ser nós mesmos...
 
Luís Sérgio Rolão Mendes Obrigado professor, é preciso romper com o medo e o oportunismo que ainda impera. Já vai sendo tempo de acordar e correr com este ministro ao serviço da troika, disposto a tudo para destruir os professores e a escola pública.
 
Maria Isabel Carvalho Parabéns pela crónica, Professor. Tem toda a razão...mas acredito que se começa a acordar (até pode ser devagarinho, mas começa...). Mas na Educação os professores são apenas um dos grupo de atores em "palco" e esse factor "pesa" a favor de Nuno Crato. Mas com os frutos desta politica educativa tão desastrosa, não será por muito tempo. Continuação de boas crónicas, Professor. Obrigada.
 
Paula Charrano Brilhante como sempre!
 
Olivia Dias Excelente como sempre. Deviamos ter um Ministro da Educação com as suas qualidades...
 
Olivia Dias A classe admira-o mais do que imagina. O Professor esta sempre a ser citado nas salas de professores. Estamos atentos ao que escreve...
 
Rui Soares Obrigado, professor.
 
Mário Jorge Mais uma vez, obrigado Sr. Professor pela denúncia de um problema que foi criado pelo MEC e que se nada for feito pelos docentes quer estejam em DACL ou não, o ensino público corre sérios riscos de se degradar ainda mais. Estou convencido que todos os professores atentos aos problemas da educação não deixarão de refletir naquilo que o Sr. Professor diz. EXCELENTE SERVIÇO CÍVICO.
 
Adélia Simões O Professor tem toda a razão mas vivemos numa sociedade de medos e ninguém toma iniciativa para se manifestar!
 
Paula Paulo Agradeço imenso a sua crónica Professor. Como de costume coloca o dedo na ferida. Nós não estamos em coma mas o que podemos fazer??? Sinceramente estou um bocado farta de ouvir toda a gente a protestar e de ler textos magníficos como o seu. Mas tudo resvala na indiferença do MEC que continua a fazer o que bem lhe apetece. Os representantes dos sindicatos preocupam-se com as suas "vidinhas" e pouco mais! Então, diga-nos o que fazer?????? Desde 1976, ano em que comecei a leccionar, só aparecem teorias! Quando passamos aos actos????? E que actos????? Não estou em coma. Quero fazer alguma coisa!
 
Graciete Teixeira O problema é só um: pensamos sempre no salve-se quem puder, olhamos apenas o próprio umbigo, onde vemos a lamparina mágica e enfiamos a cabeça, curvados sobre nós próprios. A maioria dos professores do quadro (que conheço) sorri face às declarações de Nuno Crato, esperando a lura adequada para se enfiar, os contratados aguardam o tempo da caça. Todos são culpados pelo extermínio da escola pública enquanto espaço de liberdade e de democraticidade, pelo desaparecimento da disciplina de Educação Tecnológica da matriz curricular do 3º ciclo, pelo despedimento e, acima de tudo, pela vergonha de pactuarem com o Nuno Crato. Isto tudo envergonha-me e dá-me vontade de começar à estalada e acho que devia começar e acabar pela casa, pois aí reside o mal de tudo.
 
Isabel Campeão Tem toda a razão, Professor. Estou aposentada, mas tenho a legitimidade de muitas lutas pela Escola Pública para sublinhar e comentar: "Os professores têm a legitimidade profissional de defender os interesses da classe." E foram capazes de descer a Lisboa mais de 100 mil. "E têm a responsabilidade cívica de defender a Escola Pública". Mas, infelizmente, sobre essa responsabilidade é necessário e bem importante que sejam chamados a acordar. Agora, é o risco de despedimento, ou de instabilidade para quem atingira uma situação julgada estável, e isso lamento e estou solidária pois é dramático para cada um em termos pessoais e familiares. Mas as razões que foram permitindo chegar a isso são gravíssimas para o futuro da nossa Escola Pública e da Educação, por isso gravíssimas para o país em que vão viver os nossos filhos e/ou netos. Tenho-me lembrado muito daquele poema atribuído a Brecht... 'Não era nada comigo...... Agora levam-me a mim, mas já é tarde'. Bem haja pelo que escreveu, pois o Professor é muitíssimo lido pelos docentes.
 
 
Duro Paul Muitos parabéns caro Santana. Um cidadão por excelência! Continue!
 
Luís Pedro Ribeiro Concordo e subscrevo. Obrigado, professor!
 
Manuel Vitorino Queiroz On the grass: os julgamentos in absentia são mais aborrecidos do que as execuções in effigie

Com as palavras emprestadas e adaptadas de Almada Negreiros:

BASTA PUM BASTA!
UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM crato É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO!

ABAIXO A GERAÇÃO!
 
O Cão Danado Professor Santana Castilho é com profundo pesar que eu, como professor contratado, vejo o atual isomorfismo da classe docente e, em grande parte, dos meus colegas professores contratados que, ao longo dos anos, têm vindo a sofrer cortes na sua dignidade profissional e no seu direito pleno ao trabalho. Não quero com isto dizer que a classe docente não tenha sofrido na sua plenitude, mas é com enorme angústia que vejo colegas contratados “comerem o pão que o diabo amassou”, muitas vezes com a complacência de outros professores nas escolas.
É com enorme tristeza que constato que muitas vezes é nas escolas que está o “inimigo”. Este inimigo é a total falta de solidariedade demonstrada por alguns. Os professores resistentes na escola atual são “achincalhados” por diretores zelosos e por professores “preguiçosos” que insistem em não honrar a profissão.
Neste momento em que escrevo, bravos professores lutam à frente do MEC com a esperança de conseguirem salvar a Escola Pública da tirania que foi imposta pelos sucessivos governos e, com especial ênfase, o atual.
Chegámos a este ponto em que o governo, em prol da bandeira masoquista da Troika, destrói por completo a educação em Portugal impondo uma série de medidas que visam a destruição de um sistema escolar público de qualidade.
Devo dizer que a esta altura já nada mais me surpreende pois, com o passar dos anos, assiste-se ao total desrespeito pelas leis e à destruição da figura do professor, o que resulta na devastação do seu orgulho profissional e numa incapacidade de lecionar com a qualidade desejada.

Obrigado Professor.
 
Rosa Carvalho Contundente e certeiro, aliás como sempre! Adorei o artigo, que já tinha lido em devido tempo! 
 
Joao Soares Zangado, Ramiro defende um economista que foi conselheiro do governo chileno de Augusto Pinochet e muitas de suas ideias foram aplicadas na primeira fase do governo Nixon e em boa parte do governo Reagan. Foram também muito apreciadas por Tatcher. Está tudo dito. Ou seja desfazem a escola pública, imperam as medidas economicistas, os professores andam em bolandas e depois pagam o triplo: mal pagos, turmas enormes e depois somos culpados da qualidade de ensino. Depois contratam professores da era global: migrantes da Índia, de outros países. Como já acontece com os médicos...É o falhanço do país (?)
 
Joao Soares Olhão Livre- muitos dos professores estão pobres, casos angustiantes que me chegam por email. Somos um casal de professores. Então a dose é a "dobrar"...A domesticação social começou com MLR e Sócrates. Vítor Gaspar e Paulo Portas agradecem.