24/10/2012

Pela boca morreu Passos

no Público de 24 de Outubro de 2012

por Santana Castilho *



Pela boca morreu Passos

 

O orçamento de Estado para 2013 quer tapar à bruta três enormes buracos: um enorme buraco resultante de uma enorme derrapagem do orçamento de 2012; um enorme buraco orçamental previsto para 2013; e um enorme buraco que resultará de uma enorme derrapagem na execução de 2013, prevista por antecipação, passe a redundância, no próprio orçamento de 2013. Com efeito, lá estão alguns milhares de milhões de “almofada”: para uma receita que, embora orçamentada, não será cobrada; para responder ao desemprego que esconde; e para suprir um corte na despesa que, embora orçamentado, acabará por não ser feito. Com 3 milhões de pobres e os restantes exaustos pelo confisco fiscal, com o PIB a cair entre 2,8 e 5,3 por cento (FMI dixit), só fanáticos suicidas orçamentam assim. É preciso pará-los. 

A credibilidade técnica de Vítor Gaspar foi um mito com pés de barro. Estimou que as receitas do IVA subiriam 11,6 por cento e acabaram caindo 2,2. Previu, em Março passado, que o encargo do Estado com o desemprego cresceria 3,8 por cento e, em Agosto, já ia em 23. O consumo público contraiu 3,2 por cento em 2011 e a Comissão Europeia estima que contraia 6,2 este ano. O consumo privado caiu 4,2 por cento em 2011 e a CE prevê que caia 5,9 este ano. E Gaspar ignora, quando orçamenta e taxa. E ignora o Tribunal Constitucional. E volta a ignorar, com arrogância e desprezo, o presidente da República e o próprio FMI. Ignora tudo e todos. E ignora o “melhor povo do mundo”, que esmaga com impostos em 2013. 

Mas a credibilidade política de Passos Coelho não vai melhor. Em Novembro de 2010, Passos Coelho clamou para o país uma “nova cultura de responsabilidade”, num jantar partidário em Viana do Castelo, promovido pelo PSD de Barcelos. Da sua intervenção saltou para o debate público, via Lusa, a defesa que fez da necessidade de responsabilizar os políticos, civil e criminalmente, por aquilo que fazem. “Quem impõe tantos sacrifícios às pessoas e não cumpre, merece ou não merece ser responsabilizado civil e criminalmente pelos seus actos?”, perguntou então Passos Coelho. E, na mesma altura, afirmou: “Se nós temos um Orçamento e não o cumprimos, se dissemos que a despesa devia ser de 100 e ela foi de 300, aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa também têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos e pelas suas acções. … Não podemos permitir que todos aqueles que estão nas empresas privadas ou que estão no Estado fixem objectivos e não os cumpram. Sempre que se falham os objectivos, sempre que a execução do orçamento derrapa, sempre que arranjamos buracos financeiros onde devíamos estar a criar excedentes de poupança, aquilo que se passa é que há mais pessoas que vão para o desemprego e a economia afunda-se…”. 

Quando assim falou, Passos Coelho pensava na Lei 34/87 (crimes de responsabilidade dos titulares de cargos políticos), sucessivamente alterada em 2001, 2008 e 2010 (leis 108, 30 e 41, respectivamente). O que Passos disse de outros caiu-lhe agora em cima. Porque não cumpriu nada do que prometeu e porque falhou grosseiramente os objectivos orçamentais, Passos disse que Passos deve ser responsabilizado civil e criminalmente. Passos morreu pela boca de Passos. 

A obsessão de Gaspar e Passos para iludirem o óbvio, substituindo a racionalidade básica pela fé dos alienados, matou-os. O velório virá logo que Portas acabe de tirar as fotocópias. 
É óbvio que o problema de Portugal, sendo a dívida grande, não é a dívida. É a ameaça de não a poder pagar, com uma economia que não cresce e um desemprego imparável. 

É óbvio que chegámos aqui empurrados por gente trapaceira, protegida por uma justiça injusta. 

É óbvio que só a promoção do investimento produtivo, o aumento do que vendemos lá fora, a diminuição do que compramos cá dentro e a recondução do Estado ao seu papel de árbitro justo de interesses opostos nos poderá arrancar às garras de uma máfia de especuladores e agiotas, a que alguns chamam mercado. 

É óbvio que esta austeridade não muda o futuro. 

A nossa democracia (e a democracia da Europa, importa sublinhá-lo) resume-se a rituais eleitorais, cada vez menos concorridos, que sujeitam a vida pública a modernas formas de ditadura. Guardadas as urnas, os pilares da democracia (a informação e a participação) são amordaçados e domados pelos vencedores, que passam o ciclo a bramir a legitimidade que o voto lhes conferiu. Mesmo que a tenham perdido grosseiramente, por fazerem o contrário daquilo que prometeram quando o disputaram. Mesmo que a mentira sem pudor se lhes cole à cara sem vergonha. Passos Coelho é um belo exemplo do que afirmo. Dificilmente encontramos quem mais gravemente tenha ferido a confiança dos que acreditaram nele. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt) 

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comentários daqui:

Margarida Silva Parabens Professor, é sempre um prazer ler as suas crónicas.
 
Maria Helena Vaz Boa noite! Esta crónica, deve ser lida pelo Tribunal Constituicional, para que proceda em conformidade, após receber os pedidos de verificação da constitucionalidade do OGE para 2013. Parabéns Professor.
 
Mário Jorge Parabéns, Senhor Professor, por mais esta análise. Os portugueses precisam que o Sr. Professor continue a revelar o que muitos gostariam que já estivesse esquecido.
 
Maria Antónia Pinto gostei , Professor, da sua crónica , pela ironia , frontalidade e tudo......
 
Madalena Costa Fernandes Professor no seu melhor. Adorei a sua crónica... sempre tão frontal, mas sempre tão coerente.
 
Ema Neves Deviamos ter mais gente assim. Grande professor, grande homem este !
 
 
 
 


10/10/2012

Mais Estado e pior Estado


no Público, 10 de Outubro de 2012

por Santana Castilho *

Mais Estado e pior Estado 

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1. A portaria nº292-A/2012 cria “cursos vocacionais” no ensino básico. Formalmente, caiu a intenção arrepiante de obrigar crianças de tenra idade a aprender um ofício. Mas tudo está ordenado para produzir o mesmo efeito. O diploma está abaixo do medíocre: redigido em Português pobre, tecnicamente deplorável quanto à substância, pejado de intenções de parcerias e protocolos indefinidos, não passa de uma nova versão dos Cursos de Educação e Formação, de má memória. O alvo confessado são os que chumbam mais que duas vezes. A razão por que chumbam não interessa. O cinismo não se disfarça quando se fala de crianças de 13 anos a “optarem” por um destino de vida. O acto falhado radica na qualificação de “regular” para o outro ensino, o intelectual, deixando a este, por antinomia óbvia, a condição de “irregular”. Que diria Crato, do “Plano Inclinado”, dos disparates que Crato, ministro, escreveu no artigo 9º da portaria? Que será “avaliação modular”? A que título, quando estatui sobre avaliação, confunde com ela considerações metodológicas e didácticas? Que brincadeira é aquela de quatro relatórios finais, a serem redigidos por crianças do ensino básico, que chumbaram duas ou três vezes, certamente a Português, como instrumento central de uma presumível classificação, a que ministro chama avaliação? Onde fica o seu rigor, com a trapalhada que consagra nos artigos 10º e 11º? Se o aluno se contentar em ficar por ali, o que fez “habilita”. Se quiser ir para o tal ensino “regular”, o que fez já não habilita? 
 Entendamo-nos, em seis linhas. A lei estabelece um ensino básico. Quer isso dizer que é desígnio da sociedade que todos os portugueses obtenham um conhecimento mínimo, básico. O que está fixado e não outro. O ensino profissionalizante deve vir depois. Como ensino tão “regular” como o outro. Com igual dignidade, livremente escolhido, quando a maturidade o permita, com orientação vocacional séria e cooperante, sem marca social de origem nem estigma de chumbos acumulados. 
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2. Mesmo num quadro bem visível e persistente de desorientação e vacuidade de ideias úteis, surpreende a facilidade com que Nuno Crato dá tiros no próprio pé. Mal os tribunais decidem sobre um atropelo à lei, é vê-lo partir para outro, fora de tempo, qual cavaleiro de triste figura. Quem, equilibrado, se lembraria de decidir, agora e contra uma prática estabilizada desde 2007, que os exames do 12º ano passariam a versar as matérias do 10º e 11º, também? Felizmente que, desta feita, a asneira foi engolida numa semana. Mas deixou mais um estilhaço da credibilidade há muito implodida. 
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3. Nuno Crato tutela a Parque Escolar, um símbolo do desvario político que nos trouxe ao abismo. Tem uma dívida próxima dos 2.000 milhões de euros. Em 2011, enquanto Crato despediu professores aos milhares, essa empresa mais que duplicou o seu pessoal, aumentando a respectiva despesa para 13 milhões de euros. Sem que nada tenha acontecido aos responsáveis, ultrapassou em 70 por cento o orçamentado desempenho da sua actividade e pagou 105 milhões de euros a arquitectos e 750 mil a advogados, sem maçadores concursos públicos. E sem que o ministro pestaneje ou Gaspar fale mais rápido que o costume, acaba de lançar um concurso público de 98 mil euros para que, pasme-se, … lhe digam quanto valem as escolas que o casino do Estado lhe colocou no regaço. Isto, mais os 61 mil pagos a Sérvulo Correia e Associados (que se somam aos 32 mil de que não se fala, ajustados por boca logo que o Governo tomou posse) é tão-só uma gota nas desvergonhas do Estado. 
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4. Os detalhes precedentes, graves em si mesmos, são mais graves na medida em que ilustram a incapacidade de um trio patético de governantes para o ensino não superior, incapazes de fazer algo planeado e sério, para além de complicarem inutilmente a vida dos professores e dos alunos e criarem mais Estado, mas pior Estado. E são ainda mais graves na medida em que não constituem excepção. Outrossim marcam um colectivo em decomposição acelerada. 
Como já todos entenderam, o aumento de impostos é a prazo ineficaz. Por exaustão dos contribuintes, a quebra das receitas é a resposta perversa, mas certa. Entrámos num vórtice de que só sairemos com outros governantes, minimamente conhecedores da realidade nacional. A insolência destes vai acabar incumprindo o incensado memorando. Pelo meio ficará um caminho juncado de cadáveres, no dizer do novo bispo vermelho, fruto de uma governação por catálogo, obsessiva e sem sentido, que recusou propostas e avisos de todos os quadrantes, com o único argumento, democrática e socialmente terrorista, de que não há alternativas. Este é o paradoxo de Passos. Queria menos Estado e melhor Estado. Vai partir com mais Estado e pior Estado.
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* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

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comentários (à nota publicada pelo Professor SC no facebook) 
retirados daqui :

Ana Araújo Só com outros governantes! Honestos e sensatos...
 
Rui Domingos Uma questão: quem pagará os custos (equipamentos, salários, despesas de funcionamento, consumíveis, etc) dos tais novos cursos? O nosso apertado OE?
 
Manuel Santos Desolador. Não encontro palavras nas quais caiba a canalhice desta gente.
 
Luís Sérgio Rolão Mendes Crato e Passos para a rua. SEm demora.
 
Maria Mendonça Completamente de acordo, como sempre. Em tudo o que disse, em tudo o que não disse,mas que se adivinha... A degradação do ensino, exercida por quem nada percebe do métier, ano após ano, por tontinhos de gabinete que não têm qualquer noção do que se passa no mundo real,é constante e angustiante... Qualquer dia o estrago é irreversível... Quero novos governantes,mas sobretudo, novos políticos com credibilidade, honestidade e,essencialmente, poucos vícios de poder... Que venham ideólogos de verdade e não políticos de meia tigela agarrados aos tachos e carreiristas por vocação...
 
Madalena Costa Fernandes Governo de salvação poderia ser a solução Professor? Se eu tivesse algum poder votaria em si...
 
Hugo Pires Portugal investiu na Educação do Gaspar, mas ele próprio assume que irá reduzir o investimento na Educação das pessoas. Hipocrisia nojenta!
 
Luís Salvado Convém, para o poder político, criar cidadãos formatados assim: acríticos, sem consciência cívica e despojados de qualquer capacidade reinvindicativa. Estão lançadas as bases para a criação de escolas de elites versus escolas de pobres. Parabéns, professor Santana Castilho, por mais estas sábias palavras.
 
Berta Prata Desta vez, limito-me a acrescentar a minha contínua e já gasta incredulidade para o desnudar deste país. Já não tenho palavras honestas para dirigir a esta cambada de políticos. Levantarei a minha voz sempre, mesmo que o silêncio pareça pairar. Sinto-me exausta, andamos exaustos e quase moribundos com todos aqules que nos vão roubando um pouquinho de nós todos os dias. Obrigada, Professor, pela denúncia e pelas suas palavras, sempre em alta voz, ainda que muitos o não leiam, outros o não entendam ,e outros ainda que não querem entender.
 

09/10/2012

fotos retitadas da pg no facebook
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 "Covilhã-Município" - aqui 


Santana Castilho na "Troca de Palavras"

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26/09/2012

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A OCDE põe a nu afirmações falsas do ministro 

por Santana Castilho *
Público, 26/9/2012

A OCDE publicou o seu habitual relatório “Education at a Glance” (ver: aqui e aqui ), com o qual pretende influenciar as políticas seguidas pelos países membros, em obediência aos dogmas da economia de livre mercado. Se é certo que a educação não pode ignorar as realidades económicas, não menos certo é que a sua missão primeira é desenvolver pessoas, que não mercados. Eis a razão por que olho com reserva o que a OCDE conclui sobre os sistemas educativos. Porém, é de estudos da OCDE, adulterados ou parcialmente lidos, que os detractores dos professores e da escola pública se socorrem muitas vezes para envenenar a opinião pública. Por isso, faz sentido trazer a público alguns dados que desmentem as últimas atoardas propaladas.

São as escolas mais autónomas? Não! 78 por cento das decisões são tomadas a nível central e 22 por cento a nível das escolas (dados de 2011, gráfico D6.1, publicação em análise). A autonomia das escolas melhorou, como diz o discurso oficial? Não! Foi reduzida para metade! Em 2007, as escolas tomavam 43 por cento das decisões (gráfico D6.6). 

Nuno Crato disse na TVI que a população escolar tinha diminuído em 200 mil alunos nos últimos três anos. Não é verdade. A população escolar teve um crescimento de 71.883 alunos, como fundamentei no meu artigo de 12.9.12. Ao “Sol” (7.9.12) disse o ministro: “… A natalidade diminuiu, o número de estudantes diminuiu, daqui a quatro anos vai diminuir ainda mais …”. Falso, diz também a OCDE! Nas projecções que estabelece para 2015 (gráfico C1.3) consta um decréscimo de alunos (dois por cento) na faixa etária dos cinco aos 14 anos, largamente compensado com o acréscimo (10 por cento ou mais) para a classe dos 15 aos 19 anos. A OCDE, comentando o quadro citado, refere como excepção aos reflexos da demografia no número de alunos matriculados os casos da Dinamarca, Noruega, Israel, Luxemburgo, México, Portugal e Turquia. Nuno Crato ignorou que acabaram de chegar ao sistema os primeiros alunos atingidos pela extensão do ensino obrigatório até aos 18 anos. E ignorou que cerca de 50 por cento da população jovem ainda não completa o ensino secundário. É grave, seja qual for a razão por que o fez. 

A frase malévola “temos menos alunos por professor do que a Áustria”, deixada cair por Nuno Crato na entrevista ao “Sol”, é esclarecida pela OCDE, no que importa. O tamanho médio das turmas portuguesas em 2010, antes portanto das alterações determinadas por Nuno Crato, é superior, portanto pior, à média da OCDE e ao tamanho das turmas na Áustria (gráfico D2.2). Se nos ativermos ao ensino básico, a posição da Áustria é mais favorável (10 níveis de diferença) que a de Portugal (gráfico D2.1). Com o aumento do número de alunos decretado por Nuno Crato, sairemos do meio para a cauda da tabela. Que pretendeu o ministro, que não tem carência de conhecimento para interpretar indicadores estatísticos, quando se alistou no grupo dos que confundem a dimensão das turmas, com que os professores realmente trabalham, com uma relação descontextualizada entre os números totais de professores e alunos? Confundir, deliberada e maliciosamente, a opinião pública? Essa relação directa só permitiria comparações quando corrigida por variáveis que Nuno Crato não pode ignorar, a saber, entre outras: número de disciplinas por aluno (uma só turma pode ter uma dezena de professores); professores absorvidos pela infernal máquina administrativa do ministério; professores destacados em sindicatos; professores afastados do sistema, por desempenho de outras funções públicas não relacionadas com a educação; professores com horários exíguos, contabilizados como se tivessem horários completos; professores com redução da componente lectiva, por problemas de doença; professores envolvidos no Programa Integrado de Educação e Formação (último recurso para jovens problemáticos, que supõe turmas muito pequenas e tutorias especiais); professores que suprem necessidades educativas especiais (cegos, surdos, deficientes motores ou mentais, por exemplo) e número de horas consumidas pelos professores em tarefas burocráticas, grotescamente inúteis. 

Observada no conjunto dos indicadores, a fotografia do país não é boa. Mas quando os gráficos reflectirem as inevitáveis consequências sobre os alunos da degradação da actividade profissional dos docentes e da precariedade e insegurança que Nuno Crato lhes vem impondo, ficará bem pior. Portugal tem, pelo menos, três talibans no Governo: Gaspar, Passos e Crato. Vivem obcecados por um problema circunstancial, financeiro, sem entenderem que os cortes cegos em áreas estratégicas, como é a educação, comprometem o futuro e pioram o imediato. Do seu consulado vão resultar jovens menos autónomos e felizes e adultos mais pobres e desesperados. É inaceitável para Portugal. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt) 

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comentários retiredos da pg. fb do Professor Santana Castilho - aqui :

Eduardo Coelho Por razões familiares e profissionais, sou especialmente sensível à situação dos alunos e professores da Educação Especial. A obsessão com a redução de quadros do Estado levou a que, no corrente ano lectivo, haja apenas 2 professores de Apoios Educativos a alunos com deficiência mental e/ou motora (um dos quais com trissomia 18), exigindo-se, no entanto, que a unidade funcione 55 horas por semana - e tendo os professores de acompanhar os alunos durante a hora do almoço, já que a autarquia não contrata mais pessoal auxiliar. O número de alunos com estas características aumentou, em razão da extinção dos núcleos de AE noutras escolas do recém "mega-agrupamento". Se não fosse dramático, diria que "a anedota" se passa na EB 2,3 Nicolau Nasoni no Porto. E assim segue a farsa do sistema público de educação.
 
Luís Sérgio Rolão Mendes temos que correr com os talibans.
 
Li de Queiroz Pois, deve ser por haver menos alunos por professor que as turmas passaram de 22 alunos para 32. Erros "cratos", pois! Cretinos! E grande Santana Castilho!
 
Luís Salvado Uma vez mais, é evidente a intenção do MEC: desinformar a opinião pública e repetir incessantemente uma mentira até que esta se torne "convenientemente" útil aos objectivos ministeriais. Obrigado, Professor Santana Castilho.
 
Manuel Santos Na mouche. O Crato nunca revelou honestidade intelectual (veja-se o seu textículo, em forma de livro, sobre o eduquês), mas está a perder qualuqe rnoção dos limites. Pergunto-me se chegou a catedrático à maneira do Relvas.
 
Mário Jorge Ainda bem que há alguém, neste país, que não tem receio de dizer a verdade que os governantes tanto pretendem escamotear. Parabéns, Sr. Professor. O Povo agradece.
 
Mais uma... “…apenas contratamos os professores que sejam estritamente necessários ao sistema", afirmou Nuno Crato aos jornalistas.”
Enquanto professora e cidadã, exijo que o governo tenha o pessoal ” estritamente” necessário ao governo do meu país, pois considero que tiram ao povo o “estritamente” necessário para sobreviver com educação e saúde, já que nos tiram todos os dias o direito de nascer. (...)
 
Graciete Teixeira Temos belas cigarras à Macedo, estão no governo e uma delas é, sem dúvida, Nuno Crato. Destrói plantações inteiras. Conseguiu com a revisão curricular a proeza matemática do empobrecimento do currículo escolar, o despedimento de milhares de professores, a quase irradicação da única disciplina de caráter prático e experimental do 3º ciclo do ensino básico: a Educação Tecnológica.
 
José Carlos Borges Tal como já tive oportunidade em devido tempo de o felicitar em privado pela sua verticalidade e, porque não dizê-lo, pela sua coragem e indignação civilizada, faço-o aqui, uma vez mais, publicamente. A sua postura honra a cidadania e ou o que ainda resta dela. Oxalá não se lhe acabe a coragem e a tribuna.
 
Adelaide Marques Concordo com tudo. Gostava de assistir a um debate sobre educação com o Sr. Professor e Nuno Crato. Para o esclarecer e ajudar a ter uma visão e não apenas uma prespectiva. Nas escolas está tudo pior, não há uma única proposta que seja melhor, o Nuno Crato "iluminado", passou ao obscurantismo?
 

23/09/2012

Santana Castilho na Covilhã a 27 Set



A "Troca de Palavras" do mês de Setembro terá lugar no dia 27 (5ª feira) , na Biblioteca Municipal, com início marcado para as 21:30 horas. 


Esta tertúlia, a que a Biblioteca já nos habituou nas últimas Quintas-feiras de cada mês, conta com a presença de SANTANA CASTILHO, que fará uma abordagem reflexiva sobre "O estado da Educação: erros e alternativas".




Quem puder ir, não perca! 
É sempre um privilégio ouvi-lo, sobretudo assim 'informalmente' e ao vivo, com tempo e disponibilidade para uma "troca de palavras"!

12/09/2012

A Nini de Pedro e a linhagem de Crato

Público, 12/9/2012

A Nini de Pedro e a linhagem de Crato

Santana Castilho *

Depois da desastrosa comunicação ao país do Primeiro-Ministro, o “Pedro” (são a mesma pessoa) escreveu banalidades no “facebook” e foi alegremente cantar a “ Nini dos meus 15 Anos” para o Tivoli. Depois do ministro da Educação passar um ano a destruir o ensino público, o filho do primo-sobrinho-trineto em 2º grau do 1.º Barão e 1.º Visconde de Nossa Senhora da Luz (são a mesma pessoa, esclarece a “Wikipédia”) falou ao “Sol” e à “TVI”, como se fosse coisa boa o que até aqui fez. Assim começa o pior ano-lectivo da democracia, para os que sobrevivam a Passos e Crato. 

Crato, interrogado no “Sol” sobre as causas do despedimento colectivo de 5.147 professores, disse que isso era consequência de “várias coisas”, mas só referiu uma: “… redução da população escolar em cerca de 200 mil alunos nos últimos anos…”. Quando voltou ao mesmo na “TVI”, manteve o número, mas clarificou o período: três últimos anos. Ora ou as estatísticas dos serviços que dirige estão erradas, ou mente. Eis os números (GEPE/ME, citado por PORDATA): no ensino básico tivemos um decréscimo de 10.000 alunos (1.051.384 em 2008 e 1.041.384 em 2011); no secundário registou-se um aumento de 80.265 alunos (289.714 em 2007 e 369.979 em 2010, números usados por não haver dados de 2011); e no pré-escolar verificou-se um aumento de 1.618 alunos (141.854 em 2008 e 143.472 em 2011). Será certamente oculta a ciência a que o matemático insigne recorreu para falar como falou. À Estatística não foi, certamente. 

Crato já mostrou ser um acrobata dos melhores com as piruetas que deu desde os tempos do “Plano Inclinado”. Mas não é convincente como ilusionista. Com débil honestidade intelectual, comparou capciosamente a relação professor-alunos de Portugal e Áustria. Ora ele sabe que isso depende de outras variáveis (dispersão e extensão do curriculum, por exemplo) que não só do número de professores. E sabe que se quer falar de riqueza, o indicador válido é o que o Estado gasta por aluno. E sabe que estamos na cauda da Europa, 16 níveis abaixo da Áustria, bem abaixo da média da União Europeia a 27 (Eurostat, 2009). Invocar a Áustria neste contexto é tão infeliz e desajustado como ir cantar a “Nini” depois de pisotear quem já estava de rastos.

A imprensa noticiou que os alunos que durante os primeiros seis anos de escolaridade obrigatória (11 anos de idade) tivessem registado duas reprovações seguidas ou três alternadas aprenderiam uma profissão até ao nono ano. No 10º poderiam voltar à via “regular”, se quisessem prosseguir estudos. Essa solução, obrigatória para os casos descritos, estaria ainda ao alcance de quem a preferisse e iria ser testada numa dúzia de escolas experimentais. Nuno Crato vem agora dizer que nada será obrigatório, mas tão-só se os pais anuírem. Mas associar o ensino profissionalizante aos maus alunos é mau. Porque cola a aprendizagem de uma profissão a insuficiência intelectual. Iniciar nessa via uma criança de 11 anos é prematuro. Queremos uma formação básica que rasgue horizontes ou que gere, precocemente, mão-de-obra barata? Não será paradoxal a coexistência da obrigatoriedade de permanecer na escola até aos 18 anos com o início precoce da aprendizagem de uma profissão? Imaginemos um jovem que conclui o 6º ano com 11 anos e escolhe o tal curso profissionalizante de três. Termina-o com 14 anos, mas não pode trabalhar. Que faz até aos 18? Aprende outra profissão? Todas as profissões requerem períodos de formação de três anos? Acresce que, depois de tudo o que se tem feito para limpar administrativamente as reprovações no ensino básico, os casos de dois chumbos seguidos ou três intercalados têm expressão diminuta. O ministro desconhece essa realidade? Ou prevê que as alterações que introduziu façam disparar o número de reprovações? O ministro devia ter pensado nisto e dizer-nos, fundamentadamente, o que pensou. Do que acha, estamos fartos. 

Em Fevereiro transacto, Nuno Crato mudou as regras de acesso ao ensino superior para os alunos do ensino recorrente. A medida entendia-se para corrigir uma gritante injustiça (a via regular exigia exames nacionais e a recorrente dispensava-os). Mas só deveria servir para futuro e nunca alterar as regras a meio do jogo. Prepotentemente, Crato traiu a confiança dos jovens no Estado. Muitos anularam as matrículas e desistiram. Alguns recorreram para tribunal. Todos os que o fizeram, 295, ganharam. Cerca de 3.700 aceitaram a ilegalidade e apresentaram-se a exames. Crato prometeu vagas supervenientes aos alunos do ensino regular que se consideraram prejudicados pelos 295 colegas. Sobre os 3.700, disse nada. Querem maior trapalhada? Que sentido de equidade e de justiça tem este homem? Eis o rigor de Crato: quem não chora não mama!

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

11/09/2012

Antena 1 - Entrevista a Santana Castilho


em 10-09-2012:

Antena 1 - Entrevista a Santana Castilho

sobre a abertura do novo ano lectivo:

«Tenho a sensação de que há um ensandecimento colectivo.» - SC