18/06/2013

Aos professores do meu país, em luta pelo futuro dos seus alunos

- Segunda-feira, 17 de Junho de 2013 às 8:57 

 No dealbar deste Dia, retomo palavras que dirigi aos professores do meu país, noutro Dia, não distante: 

Se eu fosse músico, apanhava todos os sons do riso das crianças, mais os gritos de raiva que abalam a Injustiça, o bater do coração que finalmente alcança, juntava tudo num cantar de Esperança e, neste dia, enchia com ele o ar à tua volta. 

Mas, sabes bem, eu sou apenas mais um… Podia ser pintor e agarrar o Sol, o Mar e o Voo, meter-lhes dentro a alma da tua Escola, marcá-los com o brilho dum olhar – claro como gelo ao sol do despertar, quente como fogo a arder no peito de quem vive - e encher com as suas cores o espaço do teu mundo

Mas, sabes bem, eu sou apenas mais um… 

Se eu fosse escritor, sim! Inventava as palavras que dizem a Justiça por que anseias – desde a raiz da Vida até ao fim do Tempo –, as mesmas palavras que dizem Liberdade e Razão, e com essas palavras que inventasse, fazia da Vida que constróis o teu Poema

Mas, sabes bem, eu sou apenas mais um… 

Santana Castilho

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 Paula Alexandra Almeida Verdade, Professor, somos apenas uma gota de água. Mas formamos um oceano.

Mariza Gonçalves Obrigada pela força! Sabe bem termos a certeza de que alguém como o senhor está do nosso lado. Custa ouvir alguns comentários de pessoas que se julgam inteligentes e sabedoras do que se passa no ensino. Precisamos mesmo dessa força.

Ernesto Costa Obrigado Professor! Partilhei a sua Nota, com um Poeta que muito admiro, José Luis Peixoto e espero que ele que é um grande escritor escritor, sim! Invente«as palavras que dizem a Justiça por que anseias – desde a raiz da Vida até ao fim do Tempo –, as mesmas palavras que dizem Liberdade e Razão, e com essas palavras que inventasse, fazia da Vida que constróis o teu Poema.» 

Maria Dolores Cortés Obrigada Professor Santana Castilho. Nós, que defendemos a escola e os nossos alunos, precisamos de vozes como a sua que nos dão ânimo e apoio. 

 Mário Jorge O Sr. Professor está também de parabéns por tudo o que tem feito para melhorar a capacidade de intervenção cívica de todos os professores. Pedimos-lhe que continue a sua missão. Muito obrigado.

Maria Almeida Obrigada pela sua força, pela sua luta e pelo apoio aos professores. Pena que nem todos o reconheçam.

Nídia Colaço Parabéns Professor, pelas suas lindas e sábias palavras, como sempre,... Obrigada. Tenho muito orgulho por ter sido sua aluna

Carlos Jardim Quando a Alma é grande... continue a partilhar connosco o que por lá vai...

Idalécia B. Santos Um eterno obrigada, Professor, por hoje, por ontem, por todas as suas intervenções que sigo desde há anos.

Felicidade Peixoto Professor, não é "apenas mais um" mas o "UM". Para mim, é o único em que me revejo e me reconheço. Bem haja, professor, e muitoooooooooo obrigada por estar sempre do nosso lado, especialmente nesta altura tão difícil.

Teresa Maria Almeida PROFESSOR, PARABÉNS! Como o senhor faz bem à alma desta classe tão maltratada! Estamos a contar consigo e com a sua competência, no domínio da educação, para esclarecer os "tímidos e desinformados" deste país, a fim de dignificarmos a Educação em Portugal em prol desta fantástica juventude portuguesa. BEM HAJA!

Maria Helena Dias Pereira Bem Haja....Tive o prazer de o ouvir pela primeira vez em Arcos de Valdevez....tive a honra de me tornar sua amiga no facebook....há muito tempo que não sentia o espírito de um guerreiro! Obrigada professor por lutar...por não desistir...por não se acomodar no alto da sua sabedoria. Foi consigo que senti o renascer do pensamento critico lutador e sábio...foi consigo que senti o renascer da liberdade!!! Bem haja!!!

Ana Chora Obrigada pelas suas palavras! Se estamos a fazer isto não é por mais ninguém senão pelos próprios alunos e pelo futuro da educação.

Fernanda Alves Ouvi as palavras do Sr. Professor no Discurso Directo da TVI 24. Tenho pelo senhor a maior admiração. Bem haja pelas suas palavras. Pela verdade de tudo quanto disse e por ter avivado a memória na parte final. De facto, no governo anterior, foi Cavaco Silva que apelou aos estudantes para que se manifestassem na rua.

Tiago Cruz Haja alguém que diga a verdade e se bata por ela. Muitos professores estão cansados e a opinião pública está maioritariamente virada contra eles.
Sou filho de professor e cresci a ouvir dizer, pela boca de muitos colegas que mais não faziam que ecoar
o que lhes diziam em casa, que os professores eram uns inúteis bem-pagos, incompetentes e diletantes. Depois casei com uma professora e continuo a ouvir o mesmo, ou pior. E dói. Dói muito.
Por isto tudo, esta causa também é minha. E por isto tudo, o meu obrigado ao Professor Santana Castilho.
 
 
 
 
 
 
 


Fernanda Sampaio Carvalho Sousa Quando o ouço e quando leio o que escreve fico orgulhosa da sua coragem,e da sua integridade.Um abraço.   

Olivia Dias Obrigada Professor por existir...

Francisco Tomás Tomás SÃO CIDADÃOS COM ESTE CONTEÚDO, QUE FAZEM O MUNDO PULAR E AVANÇAR!  

15/06/2013

A greve, o presente e o futuro dos alunos

A greve, o presente e o futuro dos alunos

de Santana Castilho (Notas) - Sábado, 15 de Junho de 2013 às 10:23

 

Em dia de manifestação de professores, em véspera da greve de tantas discórdias, permito-me lançar ao vento estas perguntas:

Não foi mau para o presente e futuro dos alunos cortar os planos de estudo dos ensinos básico e secundário?

Não foi mau para o presente e futuro dos alunos diminuir a carga horária de algumas disciplinas, sem que os respectivos programas tenham sido alterados?

Não foi mau para o presente e futuro dos alunos aumentar o número de alunos por turma?

Não foi mau para o presente e futuro dos alunos amputar as escolas de apoios pedagógicos antes dispensados aos que tinham mais dificuldades?

Não foi mau para o presente e futuro dos alunos tornar os passes escolares mais caros e aumentar as propinas no ensino superior?

Não foi mau para o presente e futuro dos alunos aumentar o horário de trabalho dos professores?

Não foi mau para o presente e futuro dos alunos reduzir o número de funcionários auxiliares?

Não foi mau para o presente e futuro dos alunos despedir os pais e deixar milhares de lares sem pão?

Não foi mau para o presente e futuro dos alunos o aparecimento da “mobilidade especial”, simples eufemismo manhoso para despedir, iludindo a lei?

Não foi mau para o presente e futuro dos alunos o Governo dizer-lhes que a alternativa ao chicote da troika é fugirem do seu próprio país?

Não foi mau para o presente e futuro dos alunos um ministro míope transformar paulatinamente a Escola numa simples unidade de trabalho intensivo, quase escravo?

Onde estavam tantos, que agora invocam o interesse dos alunos, quando estas e tantas outras medidas foram tomadas? Onde estava o Presidente da República? Onde estava Paulo Portas? Onde estava Marques Mendes? Onde estava Manuela Ferreira Leite? Onde estava Francisco Assis?

Só é mau o incómodo presente deste acordar (tardio) da classe docente?

O meu sentimento face ao momento que a Escola Pública vive está sintetizado aqui:

http://www.rtp.pt/play/p469/e120294/antena-aberta

aqui:  http://youtu.be/mLkIurcPqnQ

aqui:  http://www.youtube.com/watch?v=7TxnzRoCMbM

e aqui:  http://www.youtube.com/watch?v=K3W9OwvFX5o

Santana Castilho


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comentários copiados daqui:

Vânia Mendonça Gosto de pensar consigo, gosto de ler os seus textos. Gosto de me sentir viva! Obrigada professor.

Lucinda Maria Ferreira Grande mestre!!!

Marco Amaro Professor, obrigado pelas suas palavras cheias de razão e que enchem de razão a nossa luta. Obrigado também, e de modo especial, por referir a situação dos professores contratados, entre os quais me incluo, que raramente são lembrados pelos que são convidados a pronunciar-se sobre estas questões, mesmo quando se trata de "gente do terreno", supostamente conhecedora da lamentável condição dos contratados. A sua sensibilidade, Professor Santana Castilho, é de louvar e o seu apoio a esta causa da Escola Pública inestimável.
Maria Manuela Henriques Adoro os seus textos.Parabéns Professor. 
Cristina Cardoso Obrigada, pela lucidez e por acordar as consciências...
Fernanda Sampaio Carvalho Sousa Santana Castilho sempre certeiro. Parabéns pela sua coragem

Fernanda Alves Concordo inteiramente com tudo o que diz Sr. Professor. Há muito que o sigo, sempre que o encontro a falar e a intervir em debates e noutras intervenções. Sempre o admirei muito e sempre vi que era o Sr. Professor o ministro, noutro governo, da Educação, sem dúvida alguma. Este governo quer luta, quer confusão, quer iniciar o rastilho para poder ainda mais exercer a sua tirania. Está a usar os alunos como braço de ferro e a seguir despede colectivamente os seus pais. Obrigada Sr. Professor por tudo quanto nos explica.

Pedro Susano Mais uma vez deixo aqui o meu obrigado em nome de toda a classe docente... as suas palavras certeiras incomodam muito o "poder instalado"... mas a verdade deve chegar aos lares portugueses... partilho as suas palavras...faço delas minhas!

Duro Paul Caríssimo Santana Castilho, não gostava do senhor, sou honesto, mas cada vez mais admiro a sua pessoa, a honestidade de raciocínio e a disponibilidade para lutar por todos nós! O meu muito obrigado! Só peço que nunca se cale, nunca deixe que o calem!   
Ernesto Costa Os Professores não estão a lutar por razões abstractas, mas pelas razões muito concretas e, que nos são apresentadas pelo Professor Santana Castilho! Todos sabemos que este Governo é contra a Escola Pública, mas a imposição unilateral das condições de trabalho, para além do limite aceitável , o seu objectivo principal é despedir Professores, para garantir os cortes permanentes na despesa pública, sendo a "mobilidade especial" um mero eufemismo, que visa despedir Professores e acabar com os Contratados. Carregam os Professores que ficam, com mais horas de trabalho e, se estes não têm condições para ensinar, isso são coisas que não preocupam o (C)rato!...Em período de Exames, este déspota de«falinhas mansas», devia chumbar a todos! Veja-se, como exemplo, a reclamação ao Tribunal, mal feita, por falta de papelada!...Obrigado, Professor.

Li de Queiroz Grande texto, como já nos habituou o Prof. Santana Castilho. Como eu queria que fosse ministro da educação!

Ana Maria Abrunhosa Faço minhas as palavras da Li de Queiroz! Obrigada pela sua coragem Professor!!!

Maria Dolores Cortés Também eu tive essa esperança. O professor Santana Castilho sempre defendeu com coragem e inteligência a classe docente. Obrigada Prof.

Maria Fernanda Como eu gostava que estivesse no ME. Bem que a Educação precisava de um homem como você.    

Gonçalo Carnaz Pena não ser o Nosso Ministro...Mas num futuro próximo quem sabe..

Margarida Silva Sim, vamos esperar que assim seja... que os nossos políticos sejam minimamente inteligentes.  

Santana Castilho implode Crato

TVI24,
7 de Junho de 2013

parte 1
 
parte 2
   
  parte 3
 

13/06/2013

Santana Castilho - hoje, na Antena1


Antena Aberta 
O ministro da educação garante que os professores vão vigiar os exames marcados para segunda-feira, dia de greve. O governo já deu orientações às escolas nesse sentido, enquanto recorre para o Tribunal Central Administrativo da decisão do colégio arbitral.
Primeira Emissão: 13 Jun 2013
Duração: 55m 

 ouvir aqui
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Acabei de ouvir, gravei, transcrevo:

Jornalista: Como é que observa todo este diálogo que houve entre ministério e sindicatos a propósito da greve de 2ª-feira , nas últimas semanas?

«O diálogo entre os sindicatos e o ministério veio muito tarde. A educação e a escola pública há muito tempo que têm sido alvo de uma perseguição feroz por parte deste governo completamente incompetente.
Em minha análise, os sindicatos cometeram um erro ao circunscreverem os motivos pelos quais decretaram (finalmente!, em minha opinião)  a greve,  à questão da mobilidade especial e das 40 horas. O problema é muito mais grave do que isso. As razões são muito mais fundas e duram há muito tempo

Nós temos um governo que, em meu entender, tem feito autêntico terrorismo social. E os professores e os funcionários públicos foram, em minha análise, as duas classes mais marcadas por isso. Os professores têm sido humilhados como nenhuma outra classe profissional o foi. 
Os professores fazem esta greve, porque têm um receio legítimo sobre a sobrevivência do ensino público. Porque, na prática, os quadros de nomeação definitiva foram completamente pulverizados. Os professores rejeitam a vulgarização da precariedade como forma de esmagar salários, que tem sido, de facto, a política dominante deste governo em relação a toda a gente.
Aquilo que o governo quer fazer ao funcionalismo público, ele faria aos privados se pudesse! E, para isso, mente despudoradamente pela boca do ministro da educação.

Quando o ministro da educação vem, como veio à televisão, com falinhas mansas, dizer que ele até tinha vinculado 600 professores no último concurso, mentiu despudoradamente. Como se os portugueses fossem estúpidos! Aquilo que ele fez foi um despacho para uma pré-vinculação de 600 professores contratados - dos 15 mil que já despediu no último ano! - dos 28 mil que, desde que chegou ao ministério, liquidou, varreu do sistema! O que ele fez foi, no mesmo despacho, abrir 600 vagas, mas não falou das 12 mil que fechou na mesma altura! E, por outro lado, estas 600 vagas, de momento, não vincularam ninguém. Só em Setembro, se os professores arranjarem uma escola onde ficar é que passarão a estar vinculados. E é óbvio que não vão arranjar! Ou, pelo menos, a grande maioria não vai arranjar, de facto, vaga em escola nenhuma.

Concretamente em relação à greve, àquilo que a vossa abertura do programa noticiou, de que os professores teriam sido convocados massivamente (pelo júri nacional de exames) para estarem presentes no próximo dia 17:
em minha opinião, o júri nacional de exames não tem nenhum vínculo hierárquico com os directores das escolas nem com os professores, para fazer isso.
Aquilo que foi feito foi uma 'orientação'. É esse o título de um e-mail que chegou às escolas: uma 'orientação'. Ora isto, em meu entender, não obriga as escolas. Isto denota uma grande cobardia por parte de um ministro que, além de mentiroso, de facto, é cobarde. Incumbe um júri nacional de exames de tomar uma medida que vale o que vale. 
Os professores em greve não têm que comparecer na escola.
Aliás, é ridículo - e é desonesto, em minha opinião - que um ministro e um governo que aceitam um colégio arbitral, como está na lei, para decidir sobre os 'serviços mínimos', depois da decisão do colégio que eles aceitaram!! , venha agora apelar para um tribunal administrativo porque, depois de a decisão ser «Não há serviços mínimos», então agora ela não vale! Quer dizer, isto é de uma desonestidade, de uma brincadeira contra uma coisa que é séria, que são as leis deste país, contra uma Constituição... - e isso de que me fala, através do júri nacional de exames, não é mais do que um expediente para causticar a totalidade dos professores! 
Quer dizer, em resumo: o que é que ..»

Jornalista: Funciona como  instrumento de pressão?
«Funciona como um instrumento de pressão, mas um  instrumento de pressão deplorável, de gente que não é honesta e que não sabe perder. O governo perdeu, de facto. Este governo desde o princípio que desrespeita as leis do país. Um governo que, por várias vezes - duas, pelo menos! - em instrumentos seriíssimos e importantes como o Orçamento, é corrigido pelo Tribunal Constitucional..
É um governo que sistematicamente tenta, de maneira clandestina, governar como se o país estivesse em 'estado de excepção', que ultimamente tem recebido o suporte do senhor presidente da República. É curioso verificar que uma pessoa que, no estrangeiro, nunca se refere às questões internas do país, ontem, em Estrasburgo, permitiu-se - no estrangeiro - falar sobre a greve dos professores ... »

Jornalista: Precisamente, e deixar um recado aos professores: "que não gosta de ver os jovens utilizados como meios para alcançar fins"..

«Pois, mas eu teria preferido ver o presidente da República a não gostar de ver os sistemáticos ataques que este governo tem feito à escola pública e aos professores! Mas enfim, o senhor presidente da República naturalmente que é livre de fazer aquilo que entender, tal como eu sou livre de ler o significado das coisas que ele faz.
De facto, os professores estão em greve. Não defendem fundamentalmente a sua mobilidade especial. Aliás, a 'mobilidade especial' é uma figura que se aplica aos chamados 'professores do quadro'. Mas a questão não é essa! É que nós, depois de o ministro Crato ter varrido do sistema quase 30 mil professores, temos agora 13 mil e tal professores que estão contratados; que são essenciais nas escolas portuguesas e que estão em risco de, em Setembro, estarem na rua!
E depois não é (só) isso! É que esta gente, sistematicamente e porque tudo tem sido mole e tem sido frouxo, tem feito aquilo que eu qualifiquei no início da minha intervenção como terrorismo social
É isso que está aqui em causa. É isso que se joga! É defender uma escola pública para todos os portugueses! Que é um valor constitucional, é um valor civilizacional, é um instrumento da soberania do país! E impedir que se instaure uma escola privada para os ricos e uma escola limitada para os pobres. É esta a questão! É isto que os portugueses têm que perceber e é por isto que os professores estão em luta!»

Jornalista: É então isso que está em causa?

«É isso que está aqui em causa, de facto, em minha análise, E ESPERO BEM QUE OS PROFESSORES PORTUGUESES PERCEBAM A RESPONSABILIDADE QUE TÊM NESTA ALTURA. Foi tarde, mas finalmente, parece que alguma coisa está a acontecer neste país!»

07/06/2013

SANTANA CASTILHO vai estar hoje no programa Discurso Directo - das 15h às 16h, TVI 24

06/06/2013

Crato revelou-se pérfido e ignorante


de Santana Castilho (Notas)

Quarta-feira, 5 de Junho de 2013 
às 20:06


Crato foi ontem entrevistado pelo jornalista Paulo de Magalhães, na TVI 24. A má- fé, a perfídia e a ignorância exalaram do que disse. Tivera alguém informado a possibilidade de o contraditar no momento e o pavão do “Plano Inclinado” teria sido reduzido à sua circunstância: um espanador manhoso. Brevemente, fica algum antídoto ao veneno: 

1. Crato, se fosse sério, falaria de “alguns sindicatos”, referindo-se aos que tomaram a iniciativa de convocar a greve, quando sabe que, entre eles, estão as duas maiores estruturas sindicais de professores, as quais, em conjunto, representam mais de 90% dos sindicalizados? Falaria tanto de diálogo e de abertura, cometendo do mesmo passo a grosseria de dizer que os professores fazem dos alunos seus reféns? Mostrar-se-ia, ontem, um menino do coro, tal era a disponibilidade para conversar com os professores, para hoje os ignorar como destinatários do despacho de lançamento do próximo ano-lectivo (foram os jornalistas que o disponibilizaram aos sindicatos)? 

2. Crato, ministro de coisa nenhuma, desconhece que História e Geografia estão no mesmo “saco” no 2º ciclo do básico. Foi deprimente ouvi-lo dizer que as escolas podem dar mais tempo a uma ou a outra disciplina, como se houvesse duas. 

3. Crato repetiu ad nauseam a expressão “no limite”. Só no “limite” é que serão enviados professores para a mobilidade especial, disse. Deu a entender à opinião pública que foi lançado o alarmismo e que, afinal, tudo ficará em paz excelsa. Ora a mobilidade especial aplica-se aos professores dos “quadros”. A questão que passou de fininho, sem pio, é o que acontecerá aos actuais 13.943 contratados. Que “limite” invocaria o espertalhão se a pergunta lhe tivesse sido feita? 

4. Crato, magnânimo, lembrou ter vinculado 600 professores. Abjecta mentira. Os professores que concorreram aos QZP só estarão vinculados em Setembro … se arranjarem vaga numa escola. E tudo prenuncia que não a terão. Hoje estão contratados. Ontem, Crato disse-os vinculados. Veremos quantos estarão desempregados em Setembro. E Crato não disse, nem com tal foi confrontado, que, quando “vinculou” esses 600, … “desvinculou” … 12.000. 

Quando Crato chegou tinha 139.837 professores. Hoje são 111.704. Já limpou 28.133. 

5. A Crato parece normal enviar um professor para trabalhar a 200 Km da sua residência, mesmo desconhecendo o limite territorial das zonas pedagógicas. Crato reconheceu que os professores já trabalham mais que 40 horas (quando só lhes paga 35). Crato confessou que deve milhões, que deviam ser pagos como trabalho extraordinário. Mas não vai pagar. Crato não se incomoda com o tráfico negreiro da nova era. 

6. Crato, ignorante, disse haver “jurisprudência” sobre serviços mínimos na educação. Não há coisa nenhuma. Houve decisões de tribunais, há anos, que não fizeram jurisprudência. Hoje podem ser diferentes. Pelos vistos, 1 milhão, 71 mil 995 euros e 42 cêntimos, que tem por mês para pagar estudos e pareceres, não chegam para pagar uns trocos a um estagiário de direito, que lhe explique o que é jurisprudência. Sugiro-lhe que se aconselhe com o seu ex-patrão, Isaltino Morais, jurista com tempo para lhe explicar a coisa, actualmente. 

Entendamo-nos: se vierem a ser estabelecidos serviços mínimos (em manifesto atropelo à lei vigente, em meu entender) e os professores não os cumprirem, que pode acontecer? Nada! Ou melhor, requisição civil. E aí é que os professores a terão que cumprir. Mas já Crato, nessa altura, terá engolido a bazófia, porque os exames, naquela data, não se realizarão.

https://www.facebook.com/notes/santana-castilho/crato-revelou-se-p%C3%A9rfido-e-ignorante/560014924048823

05/06/2013

Os três pastorinhos e a greve dos professores

in Público,
5 de Junho de 2013

Santana Castilho *

Os três pastorinhos e a greve dos professores


Depois do presidente Cavaco, que não é palhaço como sugeriu Miguel Sousa Tavares, ter atribuído à Nossa Senhora de Fátima a inspiração da trindade que nos tutela para fechar a sétima avaliação, vieram três pastorinhos (Marques Mendes, Portas e Crato) pregar no altar do cinismo, a propósito da greve dos professores: “ … marcar uma greve para coincidir com o tempo dos exames nacionais … não é um direito … é quase criminoso … é uma falta de respeito … ” (Marques Mendes); “… se as greves forem marcadas para os dias dos exames, prejudicam o esforço dos alunos, inquietam as famílias …” (Portas); “… lamentamos que essa greve tenha sido declarada de forma a potencialmente criar problemas aos nossos jovens, na altura dos exames …” (Crato). Marques Mendes “redunda” quando afirma que a greve é um direito constitucional. Mas depois qualifica-a de abuso e falta de respeito. Que propõe? Que se ressuscite o papel selado para que Mário Nogueira e Dias da Silva requeiram ao amanuense Passos a indicação da data que mais convém à troika? Conhecerá Portas greves com cores de arco-íris, acetinadas, que sejam cómodas para todos? Que pretenderia Crato? Que os professores marcassem a greve às aulas que estão a terminar? Ou preferia o 10 de Junho? A candura destes pastorinhos comove-me. Sem jeito para sacristão, chega-me a decência mínima para lhes explicar o óbvio, isto é, que os professores, humilhados como nenhuma outra classe profissional nos últimos anos, decidiram, finalmente, dizer que não aceitam mais a desvalorização da dignidade do seu trabalho. 
  • Porque se sentem governados por déspotas de falas mansas, que instituíram clandestinamente um estado de excepção. 
  • Porque, conjuntamente com os demais funcionários públicos, se sentem alvo da raiva do Governo, coisas descartáveis e manipuláveis, joguetes no fomento das invejas sociais que a fome e o desemprego propiciam. 
  • Porque têm mais que legítimo receio quanto à sobrevivência do ensino público. 
  • Porque viram, na prática, os quadros de nomeação definitiva pulverizados pelo arbítrio. 
  • Porque rejeitam a vulgarização da precariedade como forma de esmagar salários e promover condições laborais degradantes. 
  • Porque foram expedientes perversos de reorganização curricular, de aumento do número de alunos por turma e de cálculo de trabalho semanal que geraram os propalados horários-zero, que não a diminuição da natalidade, suficientemente compensada pelo alargamento da escolaridade obrigatória e pela diminuição da taxa de abandono escolar. 
  • Porque a dignidade que reivindicam para si próprios é a mesma que reclamam para todos os portugueses que trabalham, sejam eles públicos ou privados. 
  • Porque sabem que a tragédia presente de professores despedidos será o desastre futuro dos estudantes e do país. 
  • Porque a disputa por que agora se expõem defende a sociedade civilizada, as famílias e os jovens. 

Rejeito a modéstia falsa para afirmar que poucos como eu terão acompanhado o evoluir das políticas de educação dos últimos tempos. Outorgo-me por isso autoridade para afirmar que é irrecuperável a desarmonia entre Governo e professores. A confiança, esse valor supremo da convivência entre a sociedade civil e o Estado, foi definitivamente ferido de morte quando a incultura, a falta de maturidade política e o fundamentalismo ideológico de Passos, Gaspar e Crato trouxeram os problemas para o campo da agressão selvagem. Estes três agentes da barbárie financeira vigente confundiram a legitimidade eleitoral, que o PSD ganhou nas urnas, com a legitimidade para exercer o poder, que o Governo perdeu quando escolheu servir estrangeiros e renegar os portugueses e a sua Constituição. Com muitos acidentes de percurso, é certo, a Nação cimentada pela gestão solidária de princípios e valores de Abril está a ser posta em causa por garotos lampeiros, apostados em recuperar castas e servidões. Alguém lhes tem que dizer que a educação, além de direito fundamental, é instrumento de exercício de soberania. Alguém lhes tem que dizer que princípios que o Ocidente levou séculos a desenvolver não se podem dissolver na gestão incompetente do orçamento. Alguém lhes tem que dizer que o desemprego e a fome não são estigmas constitucionais. Que sejam os professores, que no passado se souberam entender por coisas bem menores do que aquelas que hoje os ameaçam, esse alguém. Alguém suficientemente clarividente para vencer medos e comodismos, relevar disputas faccionárias recentes, pôr ombro a ombro contratados com “efectivos”, velhos com novos, os “a despedir” com os já despedidos. Alguém que defenda o direito a pensar a mais bela profissão do mundo sem as baias da ignorância. Alguém que diga não à transformação da educação em negócio. Alguém que recuse transferir para estranhos aquilo que nos pertence: a responsabilidade pelo ensino dos nossos alunos. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)


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«Às Professoras e aos Professores que não vergaram, que não empenharam a sua dignidade profissional nem venderam a sua independência intelectual.» - in Os Bonzos da Estatística (2009) , dedicatória do Professor Santana Castilho
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comentários retirados daqui:

Paula Sofia Gomes LÚCIDO! CORAJOSO! COMPETENTE! Muito obrigada por continuar a ser a voz da nossa "agonia".
Ana Cristina Tudella Mais uma vez EXCELENTE! muito obrigada professor.
 
Sá Gouveia Belíssimo texto, amigo Castilho. Subscrevo totalmente as suas palavras.
Natália Ramos Extraordinário. Belíssimo texto, algo a que nos vem habituando. Muito obrigado professor por lutar pela educação.
Ana Lima Não é só um belíssimo texto. É uma bandeira, um grito de alerta, a representação do que devia ser uma consciência colectiva. Este é o cravo vermelho que os professores deviam ostentar, orgulhosos e unidos nesta luta que é a de um povo e de um país, e tem em Santana Castilho o seu paladino e o seu arauto MAIOR!
João Daniel Pereira Extraordinário, professor Santana Castilho. Obrigado! Que os professores o leiam e ganhem força para alterar o "estado a que chegámos"...
Manuel Aleixo "Alguém que defenda o direito a pensar a mais bela profissão do mundo sem as baias da ignorância. Alguém que diga não à transformação da educação em negócio. Alguém que recuse transferir para estranhos aquilo que nos pertence: a responsabilidade pelo ensino dos nossos alunos" - Repesco esta asserção final do teu clarividente grito de alerta. Mais um, caro amigo! Um dia próximo os fariseus serão expulsos do Templo!
Luís Sérgio Rolão Mendes Mais uma vez, obrigado. Haja coragem suficiente, inteligência e capacidade de direcção e desta vez conseguimos gelar o riso dos palhaços que nos desgovernam e querem abater a profissão
Tomás Taveira da Costa Ao ler-te hoje no café da manhã, lamentei que, fosse por intercessão da Santa ou dos verdadeiros Três Pastorinhos, não fosse possível fazer chegar toda a tiragem de hoje do Público a todas as Salas de Professores, para que algumas consciências ainda insuficientemente indignadas pudessem ler o teu artigo. Grande Abraço e bem hajas.
Manuela Graça Tenho que , obrigatoriamente, partilhar...Obrigado PROFESSOR!

recebido via e-mail (continuo a não conseguir visualizar os comentários aqui.. ):

Manuel João Castelo Branco deixou um novo comentário na sua mensagem "Os três pastorinhos e a greve dos professores":
Gostei do que li. É um grito de revolta, uma análise lúcida e adulta do estado da educação pública em Portugal neste tempo dos Passos, dos Coelhos, dos Sócrates e Cratos. - É preciso agir lutar e vencer esta gente que quer destruir a Escola Pública como conquista da democracia para servir alguns senhores.


 



23/05/2013

Santana Castilho no Económico Tv: da greve dos professores


O Professor Santana Castilho foi ontem o convidado do programa Assembleia Geral, no ETv - canal 16. Podem ainda vê-lo via 'gravações automáticas' , até à próxima 4ª feira.

Foram vários os assuntos abordados, nomeadamente o refutar do sacrossanto argumento de que haverá professores a mais..

Registo aqui (enquanto não está disponível o vídeo) parte das declarações de Santana Castilho, no caso as que se prendem mais directamente com a anunciada greve dos professores às avaliações e ao exame nacional de Português (12º ano), no dia 17 de Junho.
(foram feitas pequenas adaptações do discurso oral para registo escrito)

*           *           *


-- sobre a hipótese de requisição civil para prestação de "serviços mínimos" e artigo de Maria de Lurdes Rodrigues:

«O ministro Nuno Crato não tem feito outra coisa que não seja prosseguir aquilo que de pior herdou do consulado de Maria de Lurdes Rodrigues, que, aliás, já o veio aconselhar neste aperto em que agora vai entrar - refiro-me à greve dos professores - já o veio aconselhar, ignorante das alterações legais que entretanto aconteceram, a socorrer-se de um despacho de 2005 que invalidou (bom, não invalidou, porque entretanto os professores titubearam...) uma greve que esteve prevista aos exames.

A senhora (MLR) (...) esqueceu-se de ver que a lei entretanto foi mudada (...) 
Os funcionários públicos no geral e os professores em particular são alvo de autêntico terrorismo social, mas o país ainda não está propriamente em 'regime de excepção', embora muitas das medidas dêem a entender isso. E, portanto, há leis! 
Está vigente a lei que define o que são 'serviços mínimos', que define o que é uma 'requisição civil' e quando é que pode ser feita. Nessa lei eu não vejo (...) nenhuma hipótese de o governo invalidar um direito que é um direito constitucional - ainda é um direito constitucional! - se a memória não me falha, o artigo 57 da Constituição da República, que diz que a greve é um direito dos portugueses.
Tudo aquilo de que se tem falado -- aliás o ministro (Nuno Crato) já disse que não ia permitir que os alunos fossem prejudicados -- tudo o que tem sido feito, em minha leitura, é para colocar obstáculos à adesão dos professores à greve.
Penso que os professores têm estado adormecidos .. Espero que, desta vez, acordem e que, com a responsabilidade social que têm, e com a responsabilidade ética acrescida que têm, dêem um exemplo ao país, dizendo que nem tudo é possível. Que há um momento em que, de facto, temos que parar, temos que inverter, porque o 25 de Abril, todas as aquisições civilizacionais conseguidas neste país não são para retroceder desta maneira bárbara que estamos a presenciar actualmente.
(...)
Entendamo-nos: conhece alguma greve que seja 'simpática'? (...)
É evidente que uma greve aos exames tem um impacto maior. Os exames não são nada que não se possa resolver noutra altura. É óbvio que é um incómodo para as famílias e para os alunos..
Toda a política e toda a acção do Ministério da Educação, designadamente do ministro Nuno Crato e deste governo tem prejudicado muitíssimo mais os alunos portugueses, as crianças portuguesas e as famílias portuguesas, do que a greve que os professores pretendem fazer.
É preciso que os portugueses percebam, que os pais percebam e que os cidadãos percebam que, das políticas deste governo, o que está a resultar é claramente a criação de uma escola para ricos e de uma escola para pobres. Uma escola-mínima para pobres e uma outra escola que possa ser paga pelos ricos.»

-- A escola para pobres será a Escola Pública?

« É a escola que já temos aí. Há dois ou três dias, uma colega minha do ensino superior falou comigo, perfeitamente esmagada pelo acontecimento: um aluno dela tinha desmaiado com fome - no ensino superior! Isto aconteceu numa escola pública!
Nós temos casos constantes de crianças (isso é do domínio geral!) que apenas na escola têm uma refeição.
Nós tivemos uma diminuição drástica de todo o tipo de serviços que eram prestados para ajudar aqueles alunos que têm condições socio-económicas mais débeis. Tudo isso está a desaparecer.
As necessidades educativas especiais, hoje em dia, são uma sombra daquilo que eram há meia dúzia de anos..
Esta autêntica escravatura que se propõe para os professores vai obviamente reflectir-se na qualidade do ensino, no tratamento que é dispensado às crianças.
Portanto, este, sendo aparentemente um problema dos professores, é um problema dos pais, é um problema dos alunos, é um problema do cidadão que tenha consciência cívica.
Nós não caímos ainda numa república onde tudo é válido, tudo se pode fazer porque dois senhores basicamente, Passos Coelho e Vítor Gaspar, entendem que os portugueses estão depois da reverência à troika, à senhora Merkel e, enfim, aos senhores do dinheiro, aos grandes ditadores de Passos Coelho.
(...)

Há um problema na Europa... Tenho consciência - todos temos consciência - de que o problema do país é um problema de índole económica, de falta de crescimento; é um problema que não se consegue resolver sem que as coisas na Europa mudem também. 
Agora, quando as questões, aqui, começam a pôr-se ao nível dos mínimos éticos, dos mínimos morais, então alguma coisa tem que acontecer! E eu espero que esta acção dos professores sirva para despertar consciências, porque nós precisamos de despertar a consciência dos portugueses.
É evidente que aqueles que sofrem este quadro de despedimento, aqueles que não têm dinheiro para dar de comer aos filhos, esses não precisam de ser despertados. Infelizmente, não são esses que têm instrumentos para levar a que estes governantes mudem de política e percebam que, antes de prestar vassalagem ao poder do dinheiro, têm que servir os portugueses. É esta a questão que se coloca. »
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