Afinal era o postigo!
Santana Castilho*
1. Sobre o vírus e a doença que
provoca, cientistas invocam estudos, modelos matemáticos e dados estatísticos
para contraditarem outros que, socorrendo-se de recursos idênticos, deles
divergem. De uns nunca tinha ouvido falar, de outros conheço currículos sólidos
e longos. De uns procurei produção científica sujeita a avaliação por pares e
não encontrei, de outros li o que está publicado, sob esse requisito de
validação.
É este exercício racional que me tem ajudado a construir
opinião própria e a blindar contra a cruzada do medo que as televisões
continuam a alimentar. Porque mesmo nos piores momentos, é possível
viver de pé e pensar, procurando não nos precipitarmos a aderir e só aderir ao
que se entende, por via da dúvida construtiva.
2. Não me agrada ver os que
censuravam a TINA doutros tempos quererem convencer-me que não há alternativa
ao confinamento, aos testes a eito, aos desinfectantes a jorros e à suspensão
das liberdades individuais básicas.
Não aceito que António Costa me
culpe pelo fracasso da sua governação, cavalgando o medo, porque o medo é o
instrumento que mais nos faz desaprender. Sim, o medo tornou-se uma espécie de
religião e muitos bispos profanos usam-no como estratégia de poder. Por isso
têm medo que o medo acabe.
Rejeito a banalização do estado
de emergência (vamos no 9º com o 10º anunciado) e o atropelo a liberdades e
garantias dos cidadãos, constitucionalmente protegidas, como forma de gerir a
saúde pública. E não me sirvo de teorias da conspiração para destacar o que é
evidente: com este expediente cerceiam-se greves e protestos por parte dos que
são proibidos de trabalhar, enquanto avança a substituição de postos de
trabalho por soluções digitais (professores e médicos incluídos). A pandemia é
uma desgraça para a maioria e uma rica oportunidade para alguns. Qualquer ser
pensante não paralisado pelo medo tem obrigação ética de procurar perceber
porque crescem exponencialmente as fortunas dos mais ricos do mundo, num
cenário de devastação económica e de destruição massiva de milhões de pequenos
modos tradicionais de ganhar a vida.
Rejeito o cancelamento por
decreto dos direitos constitucionais, a intromissão na esfera privada das
famílias, a suspensão da democracia para determinar a prisão domiciliária da
sociedade inteira, a transformação de seculares modos de vida num imenso parque
temático de rituais patéticos, que me reconduzem aos preâmbulos de fascismos
doutros tempos.
Governantes sensatos e cultos,
independente de qualquer ideologia militante, não poderiam ignorar que a
propósito dos danos da covid-19 se ensaiam engenharias sociais, alavancadas
pelos avanços fabulosos da digitalização global, que outro fito não têm senão
controlar e domesticar a liberdade individual. Porque não sou negacionista,
preocupa-me muito o potencial infeccioso do vírus. Mas porque não sou estúpido,
preocupam-me muito mais os efeitos colaterais, destruidores, de muitas das
medidas tomadas para o combater.
3. Não sei se é fragmento literário
ou se aconteceu e alguém me contou. Numa ou noutra hipótese, desconheço o
autor. Mas a história narra-se assim: um menino de 4 anos tinha um vizinho
idoso, cuja mulher morreu. Ao vê-lo chorar, o menino sentou-se no seu colo.
Quando a mãe lhe perguntou o que tinha dito ao velhinho, ele respondeu:
- Nada. Só o ajudei a chorar.
A história estava guardada na
minha memória. Saiu de lá e levou-me às lágrimas quando o outro dia vi a
expressão, já definitivamente ausente e esmagadoramente macabra, de um velho, a
receber a visita de um familiar, dele separado por um vidro. Gostava que os
protectores sanitários dos velhos abandonados em lares a lessem.
São os que têm mais de 80 anos
que maioritariamente aumentam o actual número diário de mortos, sendo que a
covid- 19 apenas é o factor que agrava patologias e fragilidades previamente existentes.
E para estes, que vivem em lares ou isolados, falhámos na tomada de medidas
diferenciadas. Não é o confinamento que os protege do frio ou resolve as suas carências
graves, alimentares e de assistência médica. O confinamento afasta-os da
família. E isso vai-os matando aos pedaços. Um confinamento rigoroso baixa a
transmissão da infecção mas não evita as mortes dos socialmente mais frágeis, quase
2 milhões que vivem com pensões de reforma abaixo dos 400 euros.
4. Tenhamos a clarividência de
reconhecer que a ameaça de ruptura nos hospitais não é nova. Todos os anos os
hospitais se aproximam da ruptura por esta altura. Dados disponíveis no site da
OMS mostram que em 2018 morreram em Portugal, por gripe e pneumonia, 8.158 pessoas.
As consequências da proliferação
do vírus apenas agravaram cenários idênticos doutros anos, tudo resultado do
desinvestimento sistemático no SNS, operado na última década. Com efeito, há 10
anos, pelo menos, que começaram a diminuir o número de camas nos hospitais. A
redução generalizada de recursos humanos, a insuficiência das estruturas
humanas e materiais em cuidados intensivos e a falta de articulação da saúde
com a assistência social não são de agora. É de agora o aumento crescente da
emigração de médicos e enfermeiros, cuja formação paga por nós acaba posta ao
serviço de países terceiros? Revisitem a reportagem da jornalista Ana Leal
sobre 15 hospitais do SNS, que passou na TVI24 a 13 de Abril de 2015, e
digam-me se o cenário apocalíptico aí documentado se afasta do que hoje é
descrito. Neste quadro, era desejável que se apurasse o número dos que morreram
por falta de tratamento, por outras causas que não covid-19, particularmente
depois da ministra da Saúde se imiscuir nos actos médicos dos hospitais do SNS,
suspendendo por despacho as cirurgias prioritárias, designadamente as do foro
oncológico.
5. A história das vacinas, um dos
recursos mais poderosos da medicina para impedir mortes, está recheada de
incidentes, por erros e pressões políticas. Por todos, cito dois:
- A tuberculose, cujo bacilo
causador foi descoberto por Robert Koch em 1882, só conheceria uma vacina 45
anos depois, em 1927. Infelizmente, quando foi administrada pela primeira vez,
provocou a morte de 72 crianças, por um erro de manipulação, que juntou à
vacina bactérias activas.
- O enorme fiasco (custos e
efeitos secundários na saúde de muitos cidadãos) que resultou da pressão
política do presidente Gerald Ford, em 1976, para que os EUA produzissem uma
vacina para uma epidemia que acabou por não se verificar (a gripe suína).
Moderna, Pfizer e BioNTech
queimaram etapas de teste em animais e pularam directamente para o ser humano,
numa vacina assente em operações de edição genética. Não sei se as 29 mortes
verificadas na Noruega e as 55 ocorridas nos EUA, após a administração da
vacina da Pfizer, permitem o estabelecimento de uma relação de causa, efeito. Mas
deveriam ditar medidas apropriadas até que as respectivas investigações médicas
e forenses estejam concluídas. E o discurso único deveria aceitar a
perplexidade de quantos receiam eventuais efeitos, a prazo, desta inovação
científica, marcada pela fragilidade das tradicionais e cautelosas fases de
teste.
A vacina não vai acabar com a
circulação do vírus. Vai evitar que quem esteja vacinado tenha doença grave
quando se cruzar com o vírus. Com efeito, a 13 deste mês, durante uma
conferência do JPMorgan (um dos maiores bancos do mundo, pois claro), Stephane
Bancel (CEO da Moderna) afirmou que a covid-19 vai tornar-se endémica, que o
SARS-CoV-2 não vai desaparecer e que nós teremos que viver com esse vírus para
sempre, opinião partilhada por muitas autoridades de saúde pública e pela
própria OMS (Prof. David Heymann, presidente do seu Grupo Consultivo
Estratégico).
6. No quadro deste escrito, seria
imperiosa uma referência aos testes PCR. Um teste PCR positivo, desde que
verdadeiro, identifica no corpo do paciente a presença de matéria viral. Mas
não permite concluir que se esteja em presença de um perigo de contágio, já que
tal perigo depende da quantidade de matéria viral existente. E são muitos os
especialistas que consideram uma insanidade testar qualquer pessoa sem
sintomas.
Numa informação divulgada a 14 de
Dezembro de 2020, a OMS reconheceu problemas relacionados com os testes PCR, em
consequência de acções judiciais (uma delas ocorrida em Portugal) que
reclamaram da sua inabilidade para diagnosticar a doença como, aliás,
reconheceu explicitamente o próprio inventor, Prof. Kary Mullis, Nobel da
Química em 1993. O insuspeito Anthony Fauci declarou publicamente ser totalmente
inútil executar testes PCR com 35 ciclos ou mais (e não se conhece, geralmente,
o número exato de ciclos que os laboratórios executam durante os testes PCR).
No site da OMS pode ler-se que o teste
PCR é um processo de acerto e erro, com muitos falsos positivos. E nessa linha
basta atentarmos à saga vivida há dias por Marcelo Rebelo de Sousa (ora
positivo, ora negativo, com escassas horas de permeio) e à circunstância de ter
visitado um lar de idosos (um lar de idosos, sublinho) na pendência de um teste
PCR (cujo resultado, insolitamente, lhe foi comunicado por jornalistas à saída,
em frente às câmaras), para ficarmos conversados sobre a fiabilidade do
processo.
7. A decisão sobre o confinamento
seria sempre crítica e difícil. Mas deveria ser uma decisão de sim ou não. Esta
espécie de confinamento é pouco mais que nada. Vamos pagar custos altíssimos
para ter benefícios quase nulos. Vamos cilindrar o comércio de rua e atirar
para a falência boa parte do nosso tecido produtivo, gerando desemprego, fome e
pobreza.
Quando as autoridades nos dizem que
87% dos casos não permitiram a identificação do contágio, confessam que
falharam grosseiramente na vertente eventualmente mais eficaz para combater a
pandemia: o rastreio e a vigilância epidemiológica.
Ao contrário do que aconteceu em
Março, são agora permitidas celebrações religiosas, funcionamento da catequese
incluído. O Governo considerou que as confissões religiosas cumpriram sempre as
regras de segurança sanitária. Restaurantes, ginásios, cabeleireiros e tantos
outros não cumpriram?
Não
é difícil aceitar os argumentos de António Costa a favor da escola presencial.
Mas há uma incoerência insanável entre a sua retórica em defesa da necessidade
de ficarmos em casa e a decisão de manter as escolas abertas, o que significa a
mobilidade diária de mais de 2 milhões de pessoas.
É evidente a inconsistência e a arbitrariedade
das medidas. Compreende-se que se possa ir à drogaria, mas não à livraria? À
missa mas não ao teatro? À catequese mas não à sala de estudo? Aos refeitórios
mas não aos restaurantes? Ao postigo do confessionário mas não ao postigo do
boteco?
*Professor do ensino superior
Santana Castilho*
1. Sobre o vírus e a doença que
provoca, cientistas invocam estudos, modelos matemáticos e dados estatísticos
para contraditarem outros que, socorrendo-se de recursos idênticos, deles
divergem. De uns nunca tinha ouvido falar, de outros conheço currículos sólidos
e longos. De uns procurei produção científica sujeita a avaliação por pares e
não encontrei, de outros li o que está publicado, sob esse requisito de
validação.
É este exercício racional que me tem ajudado a construir
opinião própria e a blindar contra a cruzada do medo que as televisões
continuam a alimentar. Porque mesmo nos piores momentos, é possível
viver de pé e pensar, procurando não nos precipitarmos a aderir e só aderir ao
que se entende, por via da dúvida construtiva.
2. Não me agrada ver os que
censuravam a TINA doutros tempos quererem convencer-me que não há alternativa
ao confinamento, aos testes a eito, aos desinfectantes a jorros e à suspensão
das liberdades individuais básicas.
Não aceito que António Costa me
culpe pelo fracasso da sua governação, cavalgando o medo, porque o medo é o
instrumento que mais nos faz desaprender. Sim, o medo tornou-se uma espécie de
religião e muitos bispos profanos usam-no como estratégia de poder. Por isso
têm medo que o medo acabe.
Rejeito a banalização do estado
de emergência (vamos no 9º com o 10º anunciado) e o atropelo a liberdades e
garantias dos cidadãos, constitucionalmente protegidas, como forma de gerir a
saúde pública. E não me sirvo de teorias da conspiração para destacar o que é
evidente: com este expediente cerceiam-se greves e protestos por parte dos que
são proibidos de trabalhar, enquanto avança a substituição de postos de
trabalho por soluções digitais (professores e médicos incluídos). A pandemia é
uma desgraça para a maioria e uma rica oportunidade para alguns. Qualquer ser
pensante não paralisado pelo medo tem obrigação ética de procurar perceber
porque crescem exponencialmente as fortunas dos mais ricos do mundo, num
cenário de devastação económica e de destruição massiva de milhões de pequenos
modos tradicionais de ganhar a vida.
Rejeito o cancelamento por
decreto dos direitos constitucionais, a intromissão na esfera privada das
famílias, a suspensão da democracia para determinar a prisão domiciliária da
sociedade inteira, a transformação de seculares modos de vida num imenso parque
temático de rituais patéticos, que me reconduzem aos preâmbulos de fascismos
doutros tempos.
Governantes sensatos e cultos,
independente de qualquer ideologia militante, não poderiam ignorar que a
propósito dos danos da covid-19 se ensaiam engenharias sociais, alavancadas
pelos avanços fabulosos da digitalização global, que outro fito não têm senão
controlar e domesticar a liberdade individual. Porque não sou negacionista,
preocupa-me muito o potencial infeccioso do vírus. Mas porque não sou estúpido,
preocupam-me muito mais os efeitos colaterais, destruidores, de muitas das
medidas tomadas para o combater.
3. Não sei se é fragmento literário
ou se aconteceu e alguém me contou. Numa ou noutra hipótese, desconheço o
autor. Mas a história narra-se assim: um menino de 4 anos tinha um vizinho
idoso, cuja mulher morreu. Ao vê-lo chorar, o menino sentou-se no seu colo.
Quando a mãe lhe perguntou o que tinha dito ao velhinho, ele respondeu:
- Nada. Só o ajudei a chorar.
A história estava guardada na
minha memória. Saiu de lá e levou-me às lágrimas quando o outro dia vi a
expressão, já definitivamente ausente e esmagadoramente macabra, de um velho, a
receber a visita de um familiar, dele separado por um vidro. Gostava que os
protectores sanitários dos velhos abandonados em lares a lessem.
São os que têm mais de 80 anos
que maioritariamente aumentam o actual número diário de mortos, sendo que a
covid- 19 apenas é o factor que agrava patologias e fragilidades previamente existentes.
E para estes, que vivem em lares ou isolados, falhámos na tomada de medidas
diferenciadas. Não é o confinamento que os protege do frio ou resolve as suas carências
graves, alimentares e de assistência médica. O confinamento afasta-os da
família. E isso vai-os matando aos pedaços. Um confinamento rigoroso baixa a
transmissão da infecção mas não evita as mortes dos socialmente mais frágeis, quase
2 milhões que vivem com pensões de reforma abaixo dos 400 euros.
4. Tenhamos a clarividência de
reconhecer que a ameaça de ruptura nos hospitais não é nova. Todos os anos os
hospitais se aproximam da ruptura por esta altura. Dados disponíveis no site da
OMS mostram que em 2018 morreram em Portugal, por gripe e pneumonia, 8.158 pessoas.
As consequências da proliferação
do vírus apenas agravaram cenários idênticos doutros anos, tudo resultado do
desinvestimento sistemático no SNS, operado na última década. Com efeito, há 10
anos, pelo menos, que começaram a diminuir o número de camas nos hospitais. A
redução generalizada de recursos humanos, a insuficiência das estruturas
humanas e materiais em cuidados intensivos e a falta de articulação da saúde
com a assistência social não são de agora. É de agora o aumento crescente da
emigração de médicos e enfermeiros, cuja formação paga por nós acaba posta ao
serviço de países terceiros? Revisitem a reportagem da jornalista Ana Leal
sobre 15 hospitais do SNS, que passou na TVI24 a 13 de Abril de 2015, e
digam-me se o cenário apocalíptico aí documentado se afasta do que hoje é
descrito. Neste quadro, era desejável que se apurasse o número dos que morreram
por falta de tratamento, por outras causas que não covid-19, particularmente
depois da ministra da Saúde se imiscuir nos actos médicos dos hospitais do SNS,
suspendendo por despacho as cirurgias prioritárias, designadamente as do foro
oncológico.
5. A história das vacinas, um dos
recursos mais poderosos da medicina para impedir mortes, está recheada de
incidentes, por erros e pressões políticas. Por todos, cito dois:
- A tuberculose, cujo bacilo
causador foi descoberto por Robert Koch em 1882, só conheceria uma vacina 45
anos depois, em 1927. Infelizmente, quando foi administrada pela primeira vez,
provocou a morte de 72 crianças, por um erro de manipulação, que juntou à
vacina bactérias activas.
- O enorme fiasco (custos e
efeitos secundários na saúde de muitos cidadãos) que resultou da pressão
política do presidente Gerald Ford, em 1976, para que os EUA produzissem uma
vacina para uma epidemia que acabou por não se verificar (a gripe suína).
Moderna, Pfizer e BioNTech
queimaram etapas de teste em animais e pularam directamente para o ser humano,
numa vacina assente em operações de edição genética. Não sei se as 29 mortes
verificadas na Noruega e as 55 ocorridas nos EUA, após a administração da
vacina da Pfizer, permitem o estabelecimento de uma relação de causa, efeito. Mas
deveriam ditar medidas apropriadas até que as respectivas investigações médicas
e forenses estejam concluídas. E o discurso único deveria aceitar a
perplexidade de quantos receiam eventuais efeitos, a prazo, desta inovação
científica, marcada pela fragilidade das tradicionais e cautelosas fases de
teste.
A vacina não vai acabar com a
circulação do vírus. Vai evitar que quem esteja vacinado tenha doença grave
quando se cruzar com o vírus. Com efeito, a 13 deste mês, durante uma
conferência do JPMorgan (um dos maiores bancos do mundo, pois claro), Stephane
Bancel (CEO da Moderna) afirmou que a covid-19 vai tornar-se endémica, que o
SARS-CoV-2 não vai desaparecer e que nós teremos que viver com esse vírus para
sempre, opinião partilhada por muitas autoridades de saúde pública e pela
própria OMS (Prof. David Heymann, presidente do seu Grupo Consultivo
Estratégico).
6. No quadro deste escrito, seria
imperiosa uma referência aos testes PCR. Um teste PCR positivo, desde que
verdadeiro, identifica no corpo do paciente a presença de matéria viral. Mas
não permite concluir que se esteja em presença de um perigo de contágio, já que
tal perigo depende da quantidade de matéria viral existente. E são muitos os
especialistas que consideram uma insanidade testar qualquer pessoa sem
sintomas.
Numa informação divulgada a 14 de
Dezembro de 2020, a OMS reconheceu problemas relacionados com os testes PCR, em
consequência de acções judiciais (uma delas ocorrida em Portugal) que
reclamaram da sua inabilidade para diagnosticar a doença como, aliás,
reconheceu explicitamente o próprio inventor, Prof. Kary Mullis, Nobel da
Química em 1993. O insuspeito Anthony Fauci declarou publicamente ser totalmente
inútil executar testes PCR com 35 ciclos ou mais (e não se conhece, geralmente,
o número exato de ciclos que os laboratórios executam durante os testes PCR).
No site da OMS pode ler-se que o teste
PCR é um processo de acerto e erro, com muitos falsos positivos. E nessa linha
basta atentarmos à saga vivida há dias por Marcelo Rebelo de Sousa (ora
positivo, ora negativo, com escassas horas de permeio) e à circunstância de ter
visitado um lar de idosos (um lar de idosos, sublinho) na pendência de um teste
PCR (cujo resultado, insolitamente, lhe foi comunicado por jornalistas à saída,
em frente às câmaras), para ficarmos conversados sobre a fiabilidade do
processo.
7. A decisão sobre o confinamento
seria sempre crítica e difícil. Mas deveria ser uma decisão de sim ou não. Esta
espécie de confinamento é pouco mais que nada. Vamos pagar custos altíssimos
para ter benefícios quase nulos. Vamos cilindrar o comércio de rua e atirar
para a falência boa parte do nosso tecido produtivo, gerando desemprego, fome e
pobreza.
Quando as autoridades nos dizem que
87% dos casos não permitiram a identificação do contágio, confessam que
falharam grosseiramente na vertente eventualmente mais eficaz para combater a
pandemia: o rastreio e a vigilância epidemiológica.
Ao contrário do que aconteceu em
Março, são agora permitidas celebrações religiosas, funcionamento da catequese
incluído. O Governo considerou que as confissões religiosas cumpriram sempre as
regras de segurança sanitária. Restaurantes, ginásios, cabeleireiros e tantos
outros não cumpriram?
Não
é difícil aceitar os argumentos de António Costa a favor da escola presencial.
Mas há uma incoerência insanável entre a sua retórica em defesa da necessidade
de ficarmos em casa e a decisão de manter as escolas abertas, o que significa a
mobilidade diária de mais de 2 milhões de pessoas.
É evidente a inconsistência e a arbitrariedade
das medidas. Compreende-se que se possa ir à drogaria, mas não à livraria? À
missa mas não ao teatro? À catequese mas não à sala de estudo? Aos refeitórios
mas não aos restaurantes? Ao postigo do confessionário mas não ao postigo do
boteco?
*Professor do ensino superior